Enoturismo atrai cada vez mais visitantes e negócios à Serra catarinense

Compartilhe:

Uma região que descobriu em uma fruta o segredo para alavancar o turismo e melhorar a economia. Na quinta reportagem sobre a Serra Catarinense, publicada semanalmente no DC, chegamos aos pontos altos da região, as vinícolas. Localizadas entre 900 e 1400 metros de altura, elas têm sido parceiras importantes no desenvolvimento do Planalto Serrano. É em Urupema que existe o único curso gratuito de graduação para enólogos. Implantado no Instituto Federal de Santa Catarina em 2015, o curso foi criado para atender a demanda por profissionais capacitados no setor, que cresce de forma significativa. Hoje, só na Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos de Altitude (Acavits), são 21 vinícolas associadas, a maioria da Serra. Juntas, elas produzem cerca de 1,5 milhão de garrafas e o faturamento anual chega a R$ 150 milhões. Todos os anos, 40 vagas são abertas para quem deseja se especializar nas pecularidades das uvas. As aulas acontecem em período integral, todos os dias, durante três anos. 

Continua após a publicidade

— O Curso de Tecnologia em Viticultura e Enologia apresenta disciplinas de formação geral básica e disciplinas técnicas que habilitam o profissional para planejar, gerenciar, implantar e avaliar todas as etapas de produção, desde a escolha das variedades de uva, plantio, colheita, processamento, fermentação, envase, análise sensorial, controle de qualidade e supervisão dos processos de produção e armazenagem, bem como comercialização, até a atividades de sommelier — destaca Carolina Pretto Panceri, coordenadora do curso.

O trabalho com a uva no planalto serrano começou em 2000. A qualidade dos vinhos produzidos trouxe premiações mundiais para mais de 170 rótulos. Mas, além de ser reconhecida pelo produto que faz, empresários viram uma oportunidade de unir os vinhos e as paisagens serranas para atrair não só que entende da bebida, mas visitantes que buscam experiências diferentes que envolvem vinhedo, gastronomia e vinho: o chamado enoturismo. São Joaquim foi a primeira a começar com essa atividade.

Continua após a publicidade

As vinícolas iniciaram com a degustação, visitas guiadas aos empreendimentos e parreirais e hoje já oferecem outras atividades, como degustação ao pôr do sol, ou até mesmo nas alturas embarcado em um balão. Piqueniques em meio aos vinhedos também são oferecidos, onde o vinho vem acompanhado da gastronomia típica da Serra — queijos, pães e bolos. E se não bastasse, existem locais onde o visitante fica hospedado na própria vinícola e conhece o dia a dia de quem trabalha com a uva. Todo o ano, em março, acontece Vindima — Festa da Uva, é pela divulgação do evento que muitos turistas conhecem este lado da Serra catarinense.

O empresário Everton Suzin aproveita esta época para levar os visitantes até o local onde, desde 2001, planta as uvas em São Joaquim. No local, é de costume fazer um evento com música e gastronomia no meio das parreiras. Agora, Suzin planeja construir uma estrutura para recepcionar o visitante durante todo o ano, como acontece na maioria das vinícolas. Ele destaca que potencial tem, mas é preciso o investimento de políticas públicas para ajudar no desenvolvimento do setor.

— Nós precisamos de estradas com mais qualidade e linha de crédito com taxas e prazos melhores. Assim seria mais fácil investir. A Serra tem muito potencial para ser explorado, é só o começo em relação ao turismo na região, mas para isso precisamos de políticas públicas — destaca Suzin.

 A intenção dos produtores é criar uma rota, a exemplo do que acontece no Rio Grande do Sul. Cada vinícola tem uma particularidade, que pode ser mostrada com roteiros organizados. São uvas francesas e italianas que predominam e fazem a região ter um reconhecimento da bebida produzida aqui.