A Polícia Civil do Paraná prendeu preventivamente nesta quarta-feira, em Porto Belo, um homem de 32 anos suspeito de integrar uma quadrilha de roubo de cargas. A especialidade do grupo eram assaltos a caminhões frigoríficos, carregados de carnes e derivados. A estimativa é que as transportadoras que foram vítimas da quadrilha tenham perdido mais de R$ 3,5 milhões.
A detenção do suspeito em Porto Belo integrou uma operação da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) e da Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas (DFRC) do Paraná. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e também mandados de busca e apreensão, a maioria na região metropolitana de Curitiba (PR).
O delegado-operacional da Delegacia de Furtos e Roubos, André Feltes, diz que os assaltos eram cometidos no Paraná e as cargas, em sua maioria, trazidas a Santa Catarina. O suspeito preso em Porto Belo seria o responsável pelo transporte e a distribuição da carne, junto com o líder do grupo.
Além de Porto Belo, as investigações mostram que a quadrilha passou por cidades como Itajaí e Palhoça, onde a carga pode ter sido distribuída. A polícia ainda busca esclarecer de que forma eram feitas as encomendas, e quem eram os receptadores, por isso a apuração segue em andamento. Em dois meses, o grupo teria feito sete assaltos. Em pelo menos quatro deles o destino da carga roubada foi Santa Catarina.
_ Ainda não sabemos que tipo de estabelecimento comprava, se eram mercados, açougues. Mas percebemos é que eles só faziam um novo roubo depois que descarregavam a carga _ afirma o delegado.
O homem preso em Porto Belo não tinha antecedentes criminais, segundo a polícia paranaense. Para o delegado, o grupo era organizado e tinha funções bem definidas: havia responsáveis por abordar a vítima, outros cuidavam do bloqueio do sistema de rastreamento do caminhão, outra parte do grupo dirigia os caminhões e, por fim, outros mantinham o motorista refém.
Os líderes acompanhavam à distância, e seriam também os responsáveis pela venda das mercadorias roubadas. As cargas seriam cuidadosamente escolhidas:
_ Além dos roubos que foram efetivados pelo grupo, nós contabilizamos outras 10 tentativas. Em algumas delas os motoristas chegaram a ser abordados, mas os suspeitos desistiram da carga por julgar que o carregamento era de baixo valor _ afirma Feltes.
De acordo com as investigações, além de armas de fogo e coletes de proteção balística, a quadrilha mantinha de um aparato tecnológico para roubar as cargas sem que o caminhão fosse localizado. A operação resultou na apreensão de oito veículos, inclusive um dos caminhões utilizado pela quadrilha para o transporte da carga roubada. Também foi recolhido um revólver calibre 38 e um jammer, aparelho utilizado para bloquear o sinal rastreador.