“Mais de 50% da receita da Fepese vem do setor privado” diz presidente da fundação

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(Foto: Betina Humeres, Diário Catarinense)

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Há quatro décadas, 70 professores dos cursos de graduação em Economia, Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) criaram a Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese) para prestar serviços voltados ao desenvolvimento econômico. Hoje, a instituição presidida por um dos fundadores, o professor e economista Mauro Fiuza, se destaca na prestação de serviços aos setores públicos público e privado. Uma das novas frentes é a expansão de serviços a prefeituras, mas entre os clientes estão o Porto de Rotterdam, da Holanda. Entre os fundadores da fundação estão o ex-governador Esperidião Amin e o empresário Fernando Marcondes de Mattos. Na entrevista, Fiuza fala do trabalho atual: 

Como está o nível de atividade da Fepese este ano?

A Fepese é a caçula das quatro fundações de apoio da UFSC. Nós elegemos áreas principais de atuação. O carro-chefe são os concursos públicos, depois temos os projetos públicos ou privados, capacitação e uma agência de estágios. Como trabalhamos mais com projetos privados, a gente tem conseguido passar meio ao largo das crises. Isso nos diferencia das outras fundações mais calcadas na área pública. Mais de 50% da receita da Fepese vem do setor privado. Isso traz uma certa tranquilidade. Recentemente, fizemos uma reformulação interna e fortalecemos a gestão, que tem na superintendência Marcelino Hirofumi Ito. Chegamos aos 40 anos e esse aniversário está significando um novo tempo para a fundação, com crescimento. A gente está buscando mercados potenciais nos quais a gente não participava, tanto em Santa Catarina quanto em outros Estados. Pela primeira vez participamos do Congresso dos Prefeitos, promovido pela Fecam. 

Projetos para prefeituras estão ganhando mais relevância?

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Esse é um mercado novo e temos perspectivas muito boas. Durante o Congresso de Prefeitos formos muito procurados. Fizemos muitos contatos preliminares e ficamos de continuar, marcar visitas. Recentemente, fizemos projetos para o município de Chapecó, para quem nunca tínhamos atuado. Fizemos também projeto para a Águas de Joinville, com perspectivas de outros serviços. Concórdia também está entre nossos novos clientes. Municípios que já eram nossos clientes antigos como Balneário Camboriú, São José, Palhoça e Fraiburgo continuam. Por isso, vemos essa perspectiva como muito interessante. Passamos a atender também a prefeitura de Concórdia. Para prefeituras, além de concursos, fazemos a gestão de estágio. Atendemos municípios grandes e pequenos.

De que forma a fundação cobra os serviços?

Cobramos percentuais sobre serviços prestados. O volume de receitas para este ano está equilibrado na comparação com o ano passado. Se conseguirmos fechar 2018 no mesmo patamar de resultado de 2017 será um grande ganho porque este é mais um ano difícil.

Vocês se destacam na realização de concursos públicos. Qual foi o maior?

Temos tradição em fazer concursos. No ano passado fizemos o maior concurso da nossa história, para a Polícia Civil, com 57 mil candidatos. Foi em oito cidades, em 25 locais de prova diferentes. Só para comparar, o vestibular da UFSC no ano passado (que é feito pela Comissão Permanente de Vestibular) teve 34 mil candidatos. 

O TRF-4, no qual está lotado o juiz Sérgio Moro, é cliente de vocês. Que serviços vocês prestam para o tribunal?

É na área de capacitação. Ano passado realizamos uma capacitação para 300 pessoas do TRF-4 e a equipe do juiz Sérgio Moro participou. Foi sobre Design Thinking. Recebemos demandas e trabalhamos com estruturas celulares. A gente vai se moldando às necessidades dos clientes. As capacitações podem ser em qualquer área. A gente encaminha os técnicos que atenderão a demanda e fazemos a gestão financeira e administrativa. 

A Fepese não foi envolvida na operação Ouvidos Moucos e em outras. Que cuidados a instituição toma para agir sempre dentro da ética?

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Lamentavelmente, com a morte do nosso reitor (Luiz Carlos Cancellier), as quatro fundações de apoio da UFSC foram investigadas pela Polícia Federal. Aqui na Fepese, vieram com um mandado, levaram equipamentos, mas não tivemos funcionários detidos como numa outra fundação. Até agora, os investigadores não apresentaram nada para nós. Temos normas legais rígidas a seguir. A gente nunca senta numa mesa de negociação para oferecer um serviço se alguém pede alguma coisa para nós. Já tivemos casos de pedido e nos retiramos. Isso faz parte da nossa cultura. Quando os contratos são públicos, somos regidos por várias leis, obedecemos toda a legislação e somos fiscalizados. Temos que prestar contas para órgãos federais e estaduais. Sempre somos monitorados. Na área privada, somos competitivos, prestamos serviços e precisamos gerar resultados. 

E em pesquisa, o que apoiam atualmente?

Um dos projetos de pesquisa que apoiamos é o de carro elétrico para competição desenvolvido pelo campus da UFSC em Joinville. Acreditamos que isso é importante para o futuro. 

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