Além de forte atuação nos mercados de motores elétricos, tintas, e produtos para geração de energia limpa, a WEG avança em mais setores com grande potencial futuro. Segundo o presidente da companhia, Harry Schmelzer Jr. entre esses novos setores estão o de tração para ônibus e caminhões elétricos. Ele falou com a coluna sobre isso e cenários econômicos após a entrega da premiação Top of Mind, da NSC Comunicação, da qual foi eleito Empresário Destaque da Indústria, e a WEG recebeu mais duas premiações.
Como o senhor vê o cenário econômico para a WEG?
Os últimos quatro anos foram muito difíceis para a indústria. A WEG superou tudo isso com novas aquisições, novos negócios, compensando as perdas de vendas do negócio maduro que detinha. Daqui para a frente, eu vejo um cenário mais positivo. No mercado internacional há mais investimentos pela retomada de projetos na área de petróleo e de outros setores. A WEG vai buscar oportunidades de forma mais rápida, investindo primeiro em infraestrutura de vendas para capturar essas oportunidades. Fizemos muitos investimentos em unidades de produção no México, na China e em outros países.
Além disso, vê novos mercados potenciais no exterior?
Eu vejo países como Rússia, Turquia e Indonésia com potencial. A presença da WEG ainda é pequena nesses países. Avalio que podemos avançar não só com crescimento orgânico. Mas nem sempre é possível fazer aquisições rapidamente.
Como avalia a economia brasileira?
A economia brasileira vai melhorar. A WEG já sentiu este ano, mas é uma recuperação lenta. Aqui no Brasil, acreditamos não só na retomada do negócio de energia, como também estamos investindo na parte de smart grid. É fazer software para usar junto com medidor de inteligência na automação na área de energia. Além disso, estamos investindo não só na tração elétrica para ônibus, mas também para caminhões. Lançamos um caminhão delivery junto com a Volkswagen (projeto piloto). Não são negócios de curto prazo, mas que trarão resultados no médio e longo prazo.
Há quem diga que vamos demorar para ter caminhões e ônibus elétricos…
O motor diesel é muito menos eficiente. Ele tem uma transferência da ordem de 55% de energia calórica em mecânica. Enquanto no motor elétrico, a eficiência é de 95%. Os barcos que a WEG fez são todos com tração elétrica com um grupo gerador para gerar energia elétrica por meio de um motor diesel. Como é mais eficiente? O motor diesel trabalha na velocidade de cruzeiro, tem menos consumo de energia, aí gera para o motor elétrico. O problema todo é a bateria. A expectativa é de que em quatro anos os avanços sejam grandes para esse produto. Depois, a principal dificuldade será infraestrutura. Nosso foco são ônibus urbanos e caminhões para entregas nas cidades.
Qual foi o mais recente investimento da empresa?
Compramos uma fábrica de turbinas a vapor. Ao mesmo tempo, compramos uma solução na Alemanha para geração de energia a partir da queima de lixo. Vamos desenvolver esse mercado no Brasil. É preciso mudar o modelo de depósitos de lixo no país porque os lixões causam muitos problemas. Uma parte do lixo irá para geração de energia.