A Divisão de Investigações Criminais de Itajaí (DIC) prendeu nesta terça-feira dois traficantes de cocaína que, segundo a Polícia Civil, tinham entre os principais clientes motoristas de caminhão que passavam por Itajaí e Navegantes. Em um mês, a Polícia Civil apurou que eles atenderam a pelo menos 30 caminhoneiros vindos de todo o país. Motoristas que "fazem uso da substância entorpecente como estimulante para possibilitar a realização de longas jornadas", de acordo com a DIC.
O delegado Weidson da Silva diz que um dos suspeitos já foi caminhoneiro, e utilizou seus contatos para criar uma rede de fornecimento especializada.
_ São motoristas de todos os cantos do país, que quando passam por Itajaí acionavam o traficante por telefone. Eles marcavam um ponto de entrega, em postos de gasolina ou paradas de caminhão e um motoqueiro levava a droga. Isso acontecia o dia inteiro _ afirma o delegado.
As prisões ocorreram no Bairro Espinheiros. Com os dois presos foi localizado um tablete de cocaína e embalagens para a droga. A polícia localizou, no celular de um deles, vídeos e fotografias de grandes volumes de cocaína, fracionados e prontos para a venda.
Apesar do risco que representa a venda de entorpecentes para motoristas de caminhão, durante o trabalho, não há agravantes previstos em lei para esse tipo de tráfico.
Toxicológico
Durante a greve dos caminhoneiros, entre maio e junho deste ano, uma parte da categoria pedia o fim ou a substituição do modelo de testes toxicológicos a que os motoristas são submetidos por lei. Desde o ano passado, o exame toxicológico deixou de ser parte do exame de aptidão física e mental dos motoristas e passou a integrar o próprio processo de habilitação, renovação e mudança para as categorias C, D e E. A queixa dos caminhoneiros era de que o processo é muito caro.