“Não vejo razões para pressões adicionais no câmbio”, diz Zeina Latif

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A alta do dólar nas últimas semanas tirou o sono de quem têm negócios com o exterior ou vai viajar. Mas para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, não há razões para essa alta do dólar prosseguir. Antes de palestra promovida pela Manchester Investimentos, quinta-feira, ela disse à coluna que a queda dos juros e questões técnicas podem estar fazendo com que investidores ajustem suas posições. O mercado vai se acomodar, acredita.  

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Tivemos alta do dólar nas últimas semanas. Como vê o cenário para a moeda no país? 

— Quando a gente olha o comportamento dos preços de ativos – dólar, bolsa, juros do mercado – e compara com o que está acontecendo com o resto do mundo, em especial com os vizinhos arrumados da América Latina – gosto de pegar Chile, Colômbia e México – onde a gente descolou? No câmbio, que já vinha tendo uma performance relativa pior que as outras moedas, mas algo dentro do esperado. Mas nas últimas semanas descolou muito. Por que isso? Como é um comportamento muito atípico, é possível que questões técnicas desse mercado possam estar afetando. Aí tem duas possibilidades e uma não exclui a outra. Uma é que o Banco Central vem cortando os juros (Selic) e outra é que tem um momento em que o fluxo de curto prazo ou as apostas no mercado de câmbio não valem a pena ficar apostando em queda da moeda porque com juros mais baixos a tendência é a moeda ir para outro patamar. O investidor muda de posição. 

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O que mais influencia? 

— O que aconteceu é que de fato a gente está num quadro em que o investidor local estava apostando em queda na cotação do dólar. Aí aconteceram alguns eventos políticos. Um deles é a situação do Lula, que não se sabe o que vai acontecer. Outro fato é os candidatos de centro não estarem empolgando nas pesquisas, apareceu o Joaquim Barbosa que ninguém sabe o que ele pensa. Tudo isso fez o câmbio dar uma esticadinha. Isso pegou muita gente de calça curta. Todos os locais onde as pessoas achavam que o dólar ia cair ao invés de subir, com a alta da moeda eles decidem sair das suas posições. Outra coisa é que o BC está atento. Se o mercado está preocupado, o cenário internacional não está tão favorável e o câmbio sobe e muda de patamar, isso não deveria ser foco do Banco Central, mas a volatilidade sim porque ela acaba machucando o mercado. O importador não sabe se compra agora e o exportador também fica em dúvida. Então o Banco Central pode tentar conter. É difícil um economista fazer projeções sobre o câmbio. É preciso fazer isso com muita humildade. Mas, em princípio, eu não vejo razões para pressões adicionais no câmbio, tanto pelas questões externas, quanto internas. Lá fora, apesar dos vários ruídos, fala-se do comércio mundial crescendo quase 5% nos últimos 12 meses e a produção industrial do mundo está crescendo. 

Em resumo…. 

— O dólar descolou, a gente não observou esse descolamento em outros preços de ativos, o que dizer que são coisas desse mercado. Tem duas opções, taxa de juro mais baixa fazendo a cotação do dólar subir, ou questões técnicas desse mercado, de posicionamento dos investidores. Minha sensação e de que essa questão técnica tem mais peso e tende a acalmar. O cenário internacional é benigno. Não haveria razão para a moeda americana desvalorizar tanto. 

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O Brasil teve queda nas exportações em abril. Como avalia? 

— O comércio internacional está indo bem. Não vejo uma situação de fechamento de mercado de países. O comércio internacional tem sido a alternativa de crescimento de países emergentes. Ainda que tenhamos ruído de exportação, a tendência do comércio, das exportações, não é de desacelerar por causa dessa dinâmica no mundo. Outra coisa. Digamos que eu esteja errada e as exportações de fato podem sofrer. Isso atrapalha o crescimento do Brasil? Não, porque não somos um país puxado pelo setor externo.