O que levou os catarinenses às urnas

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O domingo de 7 de outubro colocou os catarinenses nas ruas para uma eleição marcada pela polarização dos ânimos. O favoritismo de Jair Bolsonaro (PSL), confirmado nas urnas horas depois, estava expresso nos locais de votação. Como pouco antes visto, milhares vestiram camisetas amarelas e verdes, sejam elas da Seleção Brasileira ou qualquer outra que tivesse as cores da bandeira do país. Mas, independente da escolha partidária, os eleitores de Santa Catarina foram às urnas para uma escolha além de direita ou esquerda, além das bandeiras partidárias.

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As demonstrações das redes sociais ultrapassaram os limites da internet e se estenderam para as cidades. A manifestação de apoio ao candidato do PSL, no sábado, em Florianópolis, gerou uma onda propulsora no domingo. Ainda que em muitos casos silenciosos, os adeptos do capitão da reserva do Exército se espalharam pelas urnas e elegeram candidatos pouco conhecidos, mas que por ostentarem o 17 em seus números tinham uma vantagem antes desconhecida. Mas não foi só isso.

O sentimento dos catarinenses ainda era de esperança, seja qual fosse a bandeira. Na maioria dos casos foi possível ver pessoas com a sensação de que o voto poderia fazer a diferença, seja pela educação ou contra a corrupção. Mas também havia os desiludidos. Para eles, somente a obrigação do voto os fez sair de casa:

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_ Só vim votar porque é obrigatório. Moro aqui perto, então fica mais fácil _ descreveu Vanessa Wilke, moradora de Florianópolis.

Houve até mesmo quem não pensou em si, mas projetou o futuro. Vilma Adriano, aos 62 anos, deixou de lado as dores no corpo e o tratamento de uma trombose para ir até a urna. Quis escolher quem comandará o país, não só para ela, mas para os netos:

_ Não é nem por mim, mas para os netos, as crianças que estão vindo. Dá medo, dá medo…

E o temor da aposentada foi justamente o que levou muitas outras pessoas a votar: a corrupção, o futuro nebuloso, o clima de intolerância. Isso motivou milhares a agir através do voto. Diferente de outras eleições, a preferência foi por pessoas, não por propostas. A imagem de “salvador” ou “salvadora” da pátria nunca foi tão exigida. O deficiente físico, Sandré Freitas, de Florianópolis, foi votar com a ajuda da mãe, Nerilda Maia. Para ambos, as propostas são só “conversa”, por isso preferiram escolher pelos candidatos, sem olhar para o resto.

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Pelo visto, isso se representou nos eleitos em Santa Catarina. A força de Bolsonaro, com 65% entre os candidatos à presidência no Estado, espalhou para os colegas catarinenses de partido uma força jamais vista na política local. Assim como Nerilda e Sandré, aparentemente a escolha não foi por partido, mas sim pelo que os nomes representavam.

Fora a bizarra atitude de um eleitor no Sul do Estado de atentar contra a democracia nas marretadas em uma urna eletrônica, os eleitores de SC demonstraram na votação suas intenções de formas diferentes, mas na maioria delas predominou o sentimento pela fuga do habitual. Outra prova disso está na derrota do MDB nas urnas, o maior partido do Estado. O catarinense queria mudar, e mostrou isso de forma retumbante.