A Microsoft, uma das gigantes do setor de tecnologia, está se reinventando para os novos tempos de computação em nuvem e inteligência artificial. E nessa fase de insegurança digital, a empresa de Bill Gates mostra que a segurança é uma das suas fortalezas.Quem falou sobre a companhia foi o diretor de Computação em Nuvem da Microsoft Brasil, Roberto Prado, que fez palestra no último dia 13 de abril em evento da Teltec, em Florianópolis. A seguir, os principais trechos da conversa com a coluna.
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Transformação digital
Isso tem desafiado as empresas. Permite melhorar as experiências dos clientes, melhorar a forma como os funcionários trabalham com os dados e muito mais. Quanto mais eu coloco informação na mão do meu colaborador melhor é a forma que ele atende um cliente, melhor é a forma como ele lida com um sistema de produção e assim por diante. A nuvem é a plataforma que habilita o uso de soluções digitais.
Mundo Microsoft
O que aconteceu com a Microsoft? Ela se transformou. Era uma empresa de software originalmente, fundada por Bill Gates, com uma visão de colocar um computador em cada mesa. Passados tantos anos, um computador em cada mesa, como missão, parece não ser mais tão relevante. Então a gente mudou nossa visão. Hoje, nossa visão é que trabalhamos num mundo mobile e cloud (nuvem). E esse mundo, agora, começa a ser também integrado a outras novas tecnologias como a inteligência artificial, os chamados chatbots, robôs que conversam com as pessoas no atendimento. Interface de usuários naturais. Eu falo, ele transforma em texto. Eu passo um texto e ele transforma em voz. Essa é a visão de mundo que a Microsoft tem.
No Brasil
A Microsoft está organizada hoje com soluções para Office, CRM, dados, videogames, ambiente de trabalho moderno, aplicações de negócios, aplicações de dados em nuvem e inteligência artificial.
Multi-sensores
Vivemos num mundo com multi-sensores e multi-dispositivos. Seu celular é um sensor, seu relógio é um sensor. Isso produz muitos dados que são armazenados na nuvem. Aí posso usar esses dados para gerar valor. O que interessa, no final, é a experiência do cliente. Muita gente diz que a tecnologia não é tão acessível. Na verdade, a nuvem permite acesso à tecnologia por todas as empresas. Hoje, as empresas pequenas, médias e grandes têm a mesma tecnologia. Uma empresa do Japão e outra do Brasil podem inovar, criar um novo produto e disponibilizar para o mundo.
Vacas conectadas
Nós, da Microsoft, instalamos um sistema para melhorar a produtividade de fazendas no Japão. É um caso para entender o potencial da tecnologia em nuvem. Instalamos pedômetros com sensores nas vacas. As vacas precisam dar 10 passos por dia? Não sabemos. Mas podemos reunir dados. Um fazendeiro, com a tecnologia, pode detectar problemas de saúde dos animais ou melhorar a produção do rebanho detectando a hora precisa do cio do animal para melhorar a taxa de fecundidade. Com pedômetro, foi possível observar que no dia do cio a vaca anda freneticamente. Aí ele consegue informar ao fazendeiro a hora de fazer a iseminação para ter uma fêmea ou um macho. Se antes, a inseminação podia engravidar 39% do rebanho, agora pode chegar a perto de 70%. O ciclo de uma vaca é a cada 21 dias e ocorre de madrugada. A simplicidade desse exemplo mostra que, com dados, eu consigo encontrar melhoria de eficiência, de produtividade, de crescimento.
Privacidade
A Microsoft tem uma preocupação grande com privacidade. Tem uma solução chamada computação confiável há 20 anos. Nossas soluções de inteligência artificial seguem quatro princípios. O primeiro é a transparência no que a gente faz; dignidade porque sabemos o poder computacional, privacidade é que a gente não usa informação do cliente para nada (não fornecemos para ninguém); e responsabilidade. Esses são os princípios da Microsoft para desenhar qualquer solução de inteligência artificial.
Inteligência artificial
A companhia tem mais de 5 mil engenheiros desenvolvendo a área de produto, de inteligência artificial. Isso sem contar a área de pesquisa avançada. O pesquisador-chefe da Microsoft é o brasileiro Rico Malvar. Ele ajudou a gente num projeto importante do Hospital 9 de Julho (de São Paulo). Usamos vídeo analítico para ajudar a enfermagem sobre os riscos de queda dos pacientes. Essa tecnologia dá alerta para enfermeiros para reduzir número de quedas. Treinamos o computador para reconhecer uma queda.
Internet das coisas
A internet das coisas vai produzir muitos dados, muitos sensores. Vamos colocar esses dados na nuvem que tem grande capacidade de armazenamento. Na nuvem tenho capacidade computacional. É possível processar esses dados usando algoritmos inteligentes, respondendo rapidamente sobre necessidades. Por isso, a inteligência artificial precisa ser popularizada para todo mundo entender.