Exportação de cargas congeladas registra queda nos portos de Santa Catarina

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Embargos internacionais ao produto brasileiro, agravados pela greve dos caminhoneiros, provocaram queda no volume de cargas congeladas que passaram pelo Complexo Portuário do Itajaí _ o maior do Estado _ nos cinco primeiros meses do ano. O frango, que representa a maior receita cambial movimentada pelos terminais de Itajaí e Navegantes, acumula redução de 34% em 2018. Só no mês de maio, passou de US$ 218 milhões, em 2017, para US$ 11 milhões este ano _ uma redução de 94%.

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Afetado pelo embargo europeu, o frango não é o único a ter impacto negativo nas exportações. O envio de carne bovina e suína para o exterior, com bloqueio da Rússia, registrou queda acumulada ainda maior. A redução foi de 43%, em comparação com 2017.

A situação só não é pior que a do pescado, que desde janeiro está com exportações suspensas para a União Europeia. A receita cambial reduziu 78%, de US$ 7,2 milhões entre janeiro e maio do ano passado, para US$ 1,5 milhão.

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Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que a exportação de aves e de carne caiu 8,5% e 16,5% no país, respectivamente. Como a maior parte das plantas industriais embargadas pelo mercado externo estão em Santa Catarina, o reflexo é sentido com mais intensidade no Estado.

As cargas reefer, como são chamados os contêineres refrigerados, representaram no ano passado mais da metade da movimentação do Complexo Portuário do Itajaí. Por enquanto, o crescimento nas exportações de plásticos, madeira, cerâmica e vidro compensou as perdas com a carga congelada. Em maio, apesar da redução na carga reefer, o Complexo Portuário do Itajaí registrou crescimento de 3% na movimentação de contêineres.

_ Há outros segmentos compensando, e o volume de importações está alto. Mas o crescimento poderia ter sido maior se não houvesse redução de carga congelada _ avalia Heder Moritz, assessor de Direção da Superintendência do Porto de Itajaí.

Com menos congelados nos portos, há reflexo também na armazenagem. A Iceport, câmara frigorífica da Portonave, em Navegantes, teve diminuição de 23% nos estoques no primeiro quadrimestre, em comparação com 2017. O volume só não é menor nos armazéns porque as indústrias também utilizam a estrutura para abastecer o mercado nacional.

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A greve dos caminhoneiros, entretanto, deve trazer maiores reflexos para a armazenagem nos próximos meses. O motivo é a falta de produtos. Ricardo Gouvea, diretor executivo do Sindicarne e da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), diz que a perda de peso dos suínos durante a paralisação, e a eliminação de ovos e pintinhos, quebrou o ciclo da cadeia produtiva.

_ Não teremos volume para atender o mercado como tínhamos antes. Como o mercado não foi retomado para alguns países, isso ainda está equilibrado. Se a exportação estivesse acelerada, faltaria produto para o mercado interno _ afirma.

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A expectativa de Gouvea é que a cadeia de produção leve cerca de 10 meses para se ajustar _ um prazo que preocupa o setor portuário. Eclésio da Silva, presidente do Sindicato das Agências Marítimas de Santa Catarina (Sindasc) diz que o tempo de recuperação da indústria será a medida para calcular eventuais prejuízos na cadeia logística.

_ É um baque, sem dúvida nenhuma. Os portos devem manter a movimentação porque a economia está retomando o crescimento, mas isso não vai cobrir a lacuna (da queda nas exportações de congelados).

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Exportações em Maio (US$)

Frango

11.398.000 (-94,7%)

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Carnes

5.472.000 (-93,7%)

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Peixes

73.000 ( -92,6%)

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Alimentos em Geral

6.823.000 (-48,9%)

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Maçã

5.204.000 (-37,9%)

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Fumo

20.394.000 (-31,6%)

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Produtos Químicos

5.285.000 (-25,3%)

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Plásticos e Borrachas

2.572.000 (+12,2%)

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Madeiras e Derivados

86.218.000 (+14,2%)

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Papel e Derivados

2.502.000 (-57,6%)

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Têxteis Diversos

3.357.000 (-50,0%)

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Cerâmica e Vidros

5.477.000 (+48,6%)

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Mecânicos e Eletrônicos

53.684.000 (-40,6%)

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Outros

5.874.000 (-11,7%)

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Total

214.333.000 (- 61,5%)

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Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Exportações Acumulado anual

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Mercadoria 2017 / 2018 ( %)

1 Frango 1.029.070.000 / 678.891.000 ( -34,0)

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2 Carnes 503.348.000 / 286.696.000 (-43,0)

3 Peixes 7.248.000 / 1.593.000 (-78,0)

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4 Alimentos em Geral 100.970.000 / 55.083.000 (-45,4)

5 Maçã 19.191.000 / 19.574.000 (2,0)

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6 Fumo 114.402.000 / 136.308.000 (19,1)

7 Produtos Químicos 31.997.000 / 32.485.000 (1,5)

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8 Plásticos e Borrachas 12.839.000 / 13.716.000 (6,8)

9 Madeiras e Derivados 364.926.000 / 534.912.000 (46,6)

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10 Papel e Derivados 25.320.000 / 20.556.000 (-18,8)

11 Têxteis Diversos 32.738.000 / 23.962.000 (-26,8)

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12 Cerâmica e Vidros 21.283.000 / 37.564.000 (76,5)

13 Mecânicos e Eletrônicos 416.076.000 / 385.112.000 (-7,4)

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14 Outros 34.031.000 / 43.642.000 (28,2)

Total 2.813.439.000 / 2.270.104.000 (-19,3)