Mesmo com o ótimo retorno de mídia e da torcida, além do apoio dos patrocinadores, a equipe do Brasil 1 na Volvo Ocean Race não conseguiu bancar todo o custo da aventura de volta ao mundo, estimado em US$ 16 milhões. Por isso, o destino da embarcação não pôde ser diferente: vendido na própria Europa.
– Infelizmente, o barco não retornou ao Brasil, pois tivemos que vendê-lo para completar o custo projeto, que era audacioso e caro. A gente sabia desde o começo que ia ser difícil juntar todos os recursos necessários para fazer uma campanha digna – justifica o diretor Alan Adler. – Mas o comprador a gente não fala quem foi – emenda, para curiosidade do público.
Especula-se, porém, que o Brasil teria sido vendido para os espanhóis do movistar, cujo barco afundou na etapa enquanto cruzava o Atlântico Norte, após sair de Nova York rumo a Inglaterra. A embarcação então seria repintada para que compromissos deles com patrocinadores fossem cumpridos. Adler complementa dizendo que não havia outra alternativa.
– Este era um projeto que visava a excelência e o melhor resultado. Não podíamos medir nível nenhum de esforço para ter os recursos e chegar ao final com boa colocação – afirmou.
A respeito de uma possível participação dos brasileiros na próxima Volvo, que começa no final de 2008, Adler se mostrou animado.
– A gente quer dar continuidade ao projeto porque foi muito legal e não tem motivo para não continuar. As idéias existem, mas a gente deve saber dentro de um mês qual vai ser o formato – comentou o dirigente, se referindo a possibilidade de a equipe colocar dois barcos no mar: o Brasil 1 e o Portugal 1.
O certo é que, se o novo empreendimento sair, o nome permanecerá o mesmo.
– A marca Brasil 1 ganhou muita força com a mídia, portanto não se justifica outro nome, como Brasil 2 – explica Adler, ressaltando o desafio de construir dois barcos juntos. – Às vezes é necessário ousar para se alcançar níveis mais altos de realização. Ousar não faz mal e nós vamos lutar como da primeira vez – garantiu.
Comandante do primeiro Brasil 1, Torben Grael ainda não decidiu se fará uma nova participação, mas já sonha com desafios maiores: um barco brasileiro na America?s Cup, uma das competições de vela mais antigas do mundo.
– Esta Volvo foi um passo nesta direção, mas é prematuro falar nisso no momento. As equipes estão investindo quantias exageradas então algo precisa ser feito para limitar um pouco isso para que entre mais competidores. Por enquanto, o volume de dinheiro que teria que se investir não justifica no momento – explica o velejador, que é apoiado por Adler. – A longo prazo, a gente sonha com isso. Mas muito a longo prazo – encerra o diretor.