Reforma administrativa dá mais poder ao comitê gestor da prefeitura de Blumenau

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Mario Hildebrandt apresentou nesta segunda-feira a nova fase das mudanças na prefeitura (Foto: Eraldo Schnaider, Divulgação)

A extinção de fundações e autarquias da prefeitura de Blumenau, coração da segunda etapa da reforma administrativa do prefeito Mario Hildebrandt (sem partido), fortalece o comitê gestor, colegiado formado pelos titulares das pastas mais próximas da política orçamentária, e como consequência dá mais poder de gestão ao chefe do Executivo municipal.

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Ao serem incorporadas à administração direta, estruturas como Seterb, Faema, Fundação Cultural, Fundação Pró-Família e Fundação de Desportos ganharão status de secretaria (com os nomes, respectivamente, de Trânsito e Transportes, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Cultura e Relações Institucionais, Família e Esporte). Já a gestão da Vila Germânica, que no papel ainda é Fundação Promotora de Exposições de Blumenau (Proeb), será transferida para a Secretaria de Turismo e Lazer. Como a reforma prevê enxugamento de custos e cargos, estas pastas não terão a mesma autonomia, financeira e de gestão, de até então.

No discurso oficial, Hildebrandt diz que as mudanças vão aprimorar a gestão, otimizar a estrutura da prefeitura com maior controle de gastos – ele chegou a citar que apenas o Samae, poupado da reforma, era superavitário, o que justificaria a manutenção de orçamento independente – e eliminar funções muitas vezes repetitivas, sem prejudicar os serviços oferecidos na ponta ao cidadão.

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Na prática, porém, elas dão mais poder decisório ao comitê gestor, o núcleo duro do governo, formado pelos secretários Anderson Rosa (Administração), Paulo Costa (Gestão Governamental), César Botelho (Comunicação e gabinete do prefeito) e César Poltronieri (Fazenda). Também integram o grupo Júlio Augusto Souza Filho, procurador-geral do município, e Éder Boron, atual presidente da Faema, uma das fundações a serem extintas.

A esta equipe – que não deve sofrer alterações, pelo menos por enquanto – cabe a análise constante e minuciosa das finanças do município. A partir de agora, por ela também vai passar a liberação, e o consequente monitoramento, do orçamento das novas pastas, condição que, internamente, não encontra 100% de aprovação.

Investimento próprio

Diante de um orçamento estrangulado, as mexidas na segunda etapa da reforma administrativa em Blumenau devem gerar, nas contas do prefeito, uma economia de R$ 14,2 milhões até o fim do mandato, em 2020. É um dinheiro que reforçará a capacidade própria de investimento do município em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

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Apesar do impacto financeiro no caixa que ainda virá com o reajuste deste ano aos servidores públicos, com quem as negociações diretas iniciam nesta semana, Hildebrandt garante que a ideia é não usar esse valor para pagamento de salários.

Desgourmetizador

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Nas conversas paralelas depois da apresentação dos detalhes da nova reforma, um comentário em comum, em tom de brincadeira, era de que o prefeito Mario Hildebrandt aplicou um “raio desgourmetizador” ao retomar as nomenclaturas originais – e, convenhamos, bem mais simples – de algumas secretarias.

Gestão Financeira, Infraestrutura Urbana e Defesa do Cidadão, por exemplo, voltam a ser Fazenda, Obras e Defesa Civil. É um pequeno detalhe que pode ser visto como impressão de marca própria de gestão de Hildebrandt, que desfez mudanças promovidas pelo antecessor, Napoleão Bernardes.

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Aval

Presente na apresentação junto de outras lideranças empresariais da cidade, o presidente da Acib, Avelino Lombardi, vê as mudanças propostas pela prefeitura com bons olhos. Diz que o município precisa encontrar alternativas para aumentar a capacidade própria de investimentos, uma vez que os repasses do Estado e da União estão cada vez mais minguados.

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Na Câmara

O texto final da segunda etapa da reforma administrativa ainda passa pelas últimas análises jurídicas. A intenção do prefeito Mario Hildebrandt é leva-lo pessoalmente à Câmara de Vereadores, que precisa aprovar as mudanças, nesta quinta-feira. Durante a apresentação desta segunda-feira, Hildebrandt agradeceu os parlamentares pela agilidade na apreciação do projeto que determinou a extinção da URB. Foi um pequeno afago. A relação entre Executivo e Legislativo já foi melhor.

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Terceira etapa

Uma terceira fase da reforma administrativa ainda vem por aí. É quando deve ser anunciado um novo pacote de concessões e parcerias com empresas. A expectativa maior é pelo novo mercado público municipal. A prefeitura também já manifestou, no passado, interesse em transferir à iniciativa privada a gestão dos três cemitérios públicos municipais. O pátio do agora ex-Seterb e a Área Azul seriam outros possíveis alvos.