Sociedade Joinvilense completa 100 anos de história, cultura e união

Após dois anos de consultas, estudos e debates, cinco sociedades decidiram se juntar oficialmente para formar a Liga das Sociedades

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Carnaval na Liga 1953

(Foto: Arquivo Histórico de Joinville)

Com a primeira reunião registrada em ata do em julho de 1922, a Liga da Sociedade Joinvilense completou o centésimo aniversário neste ano. O registro está, inclusive, no Álbum Histórico do Centenário de Joinville. Os materiais históricos mostram que a sociedade surgiu com a fusão de diversos sócios. Após dois anos de consultas, estudos e debates, cinco sociedades decidiram se juntar oficialmente com a denominação “Vereinsbundou”, ou Liga das Sociedades. Desde lá, a ideia era cada um manter os princípios, mas utilizando um patrimônio comum, com uma direção geral.

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A oficialização da “Liga” aconteceu durante a semana de comemoração do centenário da independência do Brasil. Para celebrar a ocasião, Joinville promoveu uma grande solenidade, com a participação das associações, além do 13º Batalhão de Caçadores. Pelo estatuto, as sociedades entregavam os bens e capitais, sem direito a nenhum retorno. No estatuto, em alemão e em português, assinado em 1928, um dos compromissos da diretoria com os sócios era oferecer frequentes e diferentes opções de distração. Entre os compromissos estava “cuidar da cultura espiritual dos sócios por meio da criação de uma biblioteca”.

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Um dos primeiros atos da Liga foi adquirir um local próprio, para a instalação da sede, que aconteceu com a compra do Salão Walther, anteriormente Kuehne, construído em 1880 pelo cervejeiro Teodoro Kuehne, situado na Rua Jaguaruna, localizado no Centro da cidade.

O início teve dificuldades, mas a instalação do Cinema Majesty, o primeiro de Joinville, começou a atrair mais público ao salão. No entanto, em 9 de outubro de 1936, um incêndio, que começou no momento de uma projeção, destruiu todo o edifício, com a perda de documentos e do mobiliário. Apesar do dano material, ninguém morreu.

Para arrecadar dinheiro e reformar o espaço, os sócios realizaram uma festa de despedida sobre os escombros e, voluntariamente, fizeram a remoção dos itens. Após a reforma, a pedra fundamental foi lançada em abril de 1937. A festa da cumieira aconteceu em agosto e a inauguração em novembro do mesmo ano.

Segunda Guerra Mundial

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, em 1938, o presidente do Brasil à época, Getúlio Vargas, decretou a “campanha de nacionalização”, política-chave do Estado Novo. Essa determinação atingiu, principalmente, os estados do Sul, onde havia a maior concentração de imigrantes alemães e descendentes. A campanha de nacionalização atingiu a cultura, economia, o ensino e as artes.

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A partir de agosto de 1942, o Brasil se envolveu nos conflitos apoiando os Aliados, impactando na vida dos moradores de Joinville, incluindo perseguições e detenções de alemães e descendentes. A Liga da Sociedade Joinvilense passou esse período acompanhada de dificuldades. Para sobreviver, arrecadou dinheiro com o uso do salão, cinema, competições esportivas, cursos de dança e outras atividades.

Com o fim da guerra em 1945, a situação passou à normalidade e a Liga foi se reavivando, com uma nova geração frequentando as festas.

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Palco da cultura

Fechado pela Fundação Municipal do Meio Ambiente e Vigilância Sanitária em 2007 por falta de isolamento acústico, o local permaneceu inativo durante três anos. Para juntar recursos e cumprir as exigências dos órgãos fiscalizadores, o presidente Flávio Piazera vendeu parte do terreno e arrecadou R$ 2,6 milhões.

A partir de 2013, na busca de mais eventos para o espaço, a administração optou por estabelecer uma parceria com o produtor cultural Luciano Cavichioli, como uma saída para mantê-la como um espaço de cultura.

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Desde então, a Liga já foi e é palco festas na boate Vagão, cinema, festas de chope, Carnaval, exposição de flores e até de uma pista de gelo para patinação.

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