Bons de voto, radicais bolsonaristas são tratados como tóxicos na política

O discurso extremista que elege também isola

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Foto: Rodolfo Espíndola, Divulgação

O retorno ao trabalho do Poder Legislativo no país, na quarta-feira (1º), provou que os parlamentares bolsonaristas radicais podem ser bons de voto, mas continuam tratados como tóxicos na política. Em Florianópolis e Brasília, os apoiadores mais empedernidos de Jair Bolsonaro (PL) não converteram votos em influência para formar maiorias, característica necessária para quem trabalha com política.

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Ana Campagnolo (PL), deputada mais votada de Santa Catarina, perdeu na última hora o posto de vice-presidente da Assembleia Legislativa porque a rejeição ao nome dela ameaçava a aliança que terminou vencedora. Foi substituída por Maurício Eskudlark (PL), com melhor trânsito na Casa.

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Campagnolo nada de braçada nos algoritmos das redes sociais, onde quem gera ruído conquista maior alcance. O Parlamento, todavia, exige outras habilidades: diálogo, persuasão, respeito à divergência e disposição para ceder em nome da convergência. É sintomático que só Jessé Lopes (PL) e Sargento Lima (PL) tenham acompanhado a colega no voto de protesto contra a composição da Mesa.

No desfecho, a deputada terminou líder da numerosa bancada do PL, a mesma que não a respaldou quando partidos de esquerda pediram a saída dela da Mesa. A ver que liderança exercerá.

Damares isolada

Na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP) almoçou o governo petista e levou o bolsonarismo de sobremesa. A aposta do núcleo duro do PL era o Senado, mas o ex-ministro Rogério Marinho esbarrou na dificuldade de atrair aqueles que não embarcam nas ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e condenam propostas de anistia aos agressores do 8 de janeiro. Perdeu.

Talvez a cena que melhor ilustre a situação foi flagrada pelo repórter André Borges, do Estadão. Durante a sessão que elegeu Rodrigo Pacheco (PSD), enquanto dezenas de senadores conversavam e formavam rodinhas para tratar da votação, a ex-ministra Damares Alves (PL) dedilhava o celular, sentada, sem que ninguém se aproximasse. A câmera vai e vem mostrando um clima de feira livre, e a senadora pelo DF permanece sozinha, deslocada.

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O discurso radical que elege também isola.

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