Multa por tráfico de barbatanas de tubarão em SC contrasta com o lucro milionário do crime

Auto de infração foi aplicado nesta segunda-feira (19) à empresa de Itajaí

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Barbatanas foram apreendidas e serão destruídas ao final das investigações

(Foto: Ibama, Divulgação)

A multa aplicada à empresa de Itajaí que iria exportar 27,6 toneladas de barbatanas de tubarões contrasta com o lucro que a companhia teria caso o Ibama não tivesse descoberto a ilegalidade. O Instituto do Meio Ambiente estima que a venda renderia mais de R$ 14 milhões. Enquanto isso, na outra ponta, a multa será de R$ 550 mil.

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A empresa estava com a mercadoria confiscada desde fevereiro, quando o Ibama recolheu algumas amostras para confirmar a suspeita. As 27,6 toneladas iriam para a Ásia. Uma companhia de outro estado, que tentava enviar 1,1 tonelada, foi impedida no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no mês passado.

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Juntas, as 28,7 toneladas representam mais de 10 mil tubarões, segundo o Ibama. Foram pelo menos 4,4 mil tubarões-azuis mortos e 5,6 mil anequins, uma espécie que entrou para a lista das ameaçadas de extinção em maio.

Além dos óbitos dos tubarões, o Ibama apurou outro impacto ambiental: ignorando medidas obrigatórias, os pescadores acabavam matando também aves marinhas ao lançar o espinhel durante o dia e não à noite, como deve ser feito na pesca legalizada. Espinhel é um tipo de linha com vários anzóis.

As barbatanas eram cortadas dos animais e o corpo vendido no mercado como cação, de acordo com o agente ambiental do Ibama, Leandro Aranha. O Brasil consome em torno de 40 mil toneladas de tubarão anualmente, lembrou o coordenador da operação.

— Cação é tubarão. E às vezes um tubarão ameaçado de extinção e que além de tudo tem uma carga de mercúrio e metais pesados muito grande, uma carne que não é considerada boa em vários países — disse.

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A empresa de Itajaí deve assinar o auto de infração ainda nesta segunda-feira (19). Depois das investigações, o material apreendido será destruído.

Maior apreensão da história

Essa foi a maior apreensão de barbatanas no local de origem da captura que se tem registro no mundo, segundo o Ibama. A pesca direcionada de tubarões não é permitida no Brasil. Para fazer a captura dos animais, os barcos usavam licenças de outras espécies de peixe e atuavam com índices acima de 80% da carga permitida, contou o Ibama.

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Os animais eram pescados em vários pontos do litoral brasileiro, mas principalmente na região Sul. No mercado internacional, o quilo da barbatana desses tubarões é estimado em 100 dólares, acrescentou o instituto. Segundo especialistas, o consumo é comum na Ásia na gastronomia ou até na fabricação de cápsulas de cartilagem.

A prática, ressaltou o instituto, tem causado a diminuição drástica das populações de tubarões em todo o mundo.

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