De volta para casa, o encantamento sem as amarras da paixão

Em tarde de invasão argentina no Rio de Janeiro, a festa tricolor prevaleceu no fim das contas no Maracanã

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Maracanã em tarde festiva e que terminou melhor ainda para a torcida do Fluminense (Foto: Érika Martini, Estadão Conteúdo)

Maracanã em tarde festiva e que terminou melhor ainda para a torcida do Fluminense (Foto: Érika Martini, Estadão Conteúdo)

A primeira final de Libertadores ninguém esquece. Voltar ao Maracanã quase 10 anos depois, também não. Durante muitos anos, este estádio foi a minha segunda casa. Na geral, na arquibancada ou nas cadeiras, lá estava eu – como torcedor ou depois, como jornalista, com meu grande amigo tricolor PJ.

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Agora o Maraca é diferente, está bem menor e é um programa caro. Mas é sempre emocionante estar aqui. É a minha vida.

Fluminense é campeão da Libertadores em cima do Boca

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Em 2014, na Copa do Mundo, foi a final entre Alemanha e Argentina. Desta vez, o estádio tem as cores do Fluminense e do Boca Juniors. Um jogo inesquecível, épico, considerado a maior final da competição de todos os tempos.

Cerca de 700 jornalistas foram credenciados, de todo o mundo. Decisão transmitida para cerca de 150 países. Um time tentando seu primeiro título sul-americano; o outro campeão seis vezes. Inesquecível.

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A torcida tricolor sente-se à vontade, está em casa como eu. Os “hinchas” do Boca vêm de todos os cantos da Argentina: Patagônia, Mendoza, Salta, Tucumã, Córdoba, Buenos Aires. Vieram de ônibus e de carro, dias de viagem. Ocuparam Copacabana. Seriam cerca de cem mil, de acordo com as autoridades.

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Dizem que alguns estão no Rio desde 13 de julho de 2014, quando os argentinos perderam aquela final para os alemães.

As ruas da cidade maravilhosa – que há muito tempo nem é tão maravilhosa assim – carregam uma atmosfera alucinante. Eletricidade pura.

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Dentro do Maracanã o clima é perturbador, há uma beleza psicodélica até, fortalecida pelo vermelho-verde-branco do Fluminense e pelo azul-amarelo do Boca Juniors. A cantoria, a gritaria, as provocações, a esperança e o temor retratados em cada face de torcedor. A eterna espera pelo começo. A ansiedade cortante. Mas temos os segundos, os minutos, as horas. O tempo que cruelmente insiste em não passar.

Não aprendemos, não temos o talento dos americanos: fazemos mais uma festa jeca antes de o jogo começar. Ninguém presta atenção mesmo.

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Times em campo, hinos executados, o primeiro tempo é dominado pelo talentoso Fluminense diante do atrapalhado Boca Juniors.

O gol de um argentino-carioca parece ironia do destino. É festa tricolor. A vantagem está assegurada.
Mas ainda temos os segundos, os minutos… Advíncula, um peruano que corre mais do que o Usain Bolt, fez valer a pressão do Boca e empatou a decisão.

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Tensão, estresse, choro. Vem aí a prorrogação.

Mais um “estrangeiro” recoloca o Fluminense na frente. John Kennedy. Só que não. Ele é mineiro de Itaúna. É dele o gol do inédito título da Libertadores, depois de segundos. minutos, horas, dias, meses, anos de sofrimento e sonho.

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Como é bonito o futebol. Como é encantador ver tudo isso em minha casa. E devo confessar: como é gostoso ver todo esse espetáculo sem ter o coração enamorado por nenhum dos times, distante das amarras da paixão.

Muito obrigado, Maracanã.

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