Milei anuncia megadecreto de desregulação econômica na Argentina

Especialistas afirmam que iniciativa de Milei fere a Constituição argentina ao avançar sobre poderes do Congresso

Compartilhe:

Presidente argentino anunciou megadecreto em pronunciamento nacional (Foto: Reprodução)

O presidente recém-eleito da Argentina, Javier Milei, anunciou, nesta quarta-feira (20), um megadecreto com o qual pretende desregulamentar a economia do país. O documento tem 366 artigos, que revogam uma série de leis nacionais e modificam normativas argentinas. Entre as medidas, está prevista a conversão de empresas estatais em sociedades anônimas, para que possam ser privatizadas.

Continua após a publicidade

Siga as notícias do NSC Total pelo Google Notícias

Milei destacou 30 dos artigos em pronunciamento em rede nacional. Além de viabilizar privatizações, o megadecreto prevê mudanças do sistema de saúde argentino, dos códigos Civil e Comercial, e elimina, entre outras normas, as leis de Aluguel (que regula a locação de imóveis no país), de Gôndolas (que estabelece equidade para pequenos produtores nos supermercados) e do Abastecimento (que permite ao Estado, por exemplo, fixar preços máximos de produtos e serviços que atendam necessidades básicas).

Continua após a publicidade

As 30 medidas do megadecreto destacadas por Milei:

  • Revogação da Lei do Aluguel;
  • Revogação da Lei de Abastecimento;
  • Revogação da Lei das Gôndolas;
  • Revogação da Lei Nacional de Compras;
  • Revogação do Observatório de Preços do Ministério da Economia;
  • Revogação da Lei de Promoção Industrial;
  • Revogação da Lei de Promoção Comercial;
  • Revogação da regulamentação que impede a privatização de empresas públicas;
  • Revogação do regime das empresas estatais;
  • Transformação de todas as empresas do Estado em sociedades anônimas para sua subsequente privatização;
  • Modernização do regime de trabalho para facilitar o processo de geração de emprego;
  • Reforma do Código Aduaneiro para facilitar o comércio internacional;
  • Revogação da Lei de Terras;
  • Modificação da Lei de Combate ao Fogo;
  • Revogação das obrigações das usinas de açúcar quanto à produção;
  • Liberação do regime jurídico aplicável ao setor vitivinícola;
  • Revogação do sistema nacional de comércio mineiro e do Banco de Informação Mineiro;
  • Autorização para transferência do pacote total ou parcial de ações da companhias aéreas argentinas;
  • Implementação da política de céu aberto;
  • Modificação do Código Civil e Comercial para reforçar o princípio da liberdade contratual entre as partes;
  • Modificação do Código Civil e Comercial para garantir que as obrigações contratuais em moeda estrangeira sejam pagas na moeda acordada;
  • Modificação do marco regulatório de medicamentos pré-pagos e obras sociais;
  • Eliminação de restrições de preços na indústria pré-paga;
  • Incorporação de empresas de medicamentos pré-pagos ao regime de obras sociais;
  • Estabelecimento das prescrições médicas eletrônicas;
  • Modificações ao regime das empresas farmacêuticas para promover concorrência e reduzir custos;
  • Modificação da Lei das Sociedades por Ações para que os clubes de futebol possam se tornar corporações;
  • Desregulamentação dos serviços de Internet via satélite;
  • Desregulamentação do setor de turismo;
  • Incorporação de ferramentas digitais para procedimentos de registro automotivo.

O pacote de medidas foi determinado por meio de um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), instrumento permitido ao presidente em circunstâncias excepcionais.

Especialistas consultados pelo jornal argentino La Nación, no entanto, relataram que a iniciativa de Milei fere a Constituição ao avançar sobre poderes do Congresso do país. O DNU poderia ser editado somente caso os parlamentares estivessem impossibilitados de cumprir os ritos formais para legislar sobre as medidas propostas pelo presidente recém-eleito na Argentina, o que não é o caso.

Além disso, a Carta Magna do país estabelece que o presidente não pode “em caso algum, sob pena de nulidade absoluta e irreparável, editar disposições de natureza legislativa”.

Ainda de acordo com o La Nación, as medidas do decreto devem entrar em vigor após o oitavo dia da sua publicação. A Constituição do país prevê que agora um comissão formada por deputados e senadores analise o DNU para acatá-lo ou rejeitá-lo na íntegra. Caso não haja um parecer em até dez dias, tanto o Plenário da Câmara quanto o do Senado argentino terão que analisar o pacote.

Continua após a publicidade

O megadecreto foi publicado em Diário Oficial no mesmo dia em que houve a primeira grande manifestação no país contra Milei. O novo presidente argentino anunciou, posteriormente, que os gastos da operação policial para conter o ato seriam cobrados dos movimentos sociais e de esquerda organizadores. Na ocasião do protesto, houve confronto e prisão de manifestantes.

Leia mais

Primeiro protesto contra Milei tem confronto e duas pessoas presas na Argentina

Continua após a publicidade

Soratto deixa a Casa Civil em SC no dia 31, e filho de Jorginho é principal cotado