Recuperação judicial expõe tamanho do rombo financeiro da Coteminas

Pedido à Justiça forçou a companhia a abrir números do balanço

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Vista aérea da fábrica da Coteminas em Blumenau (Foto: Patrick Rodrigues, Arquivo NSC Total)

O pedido de recuperação judicial expôs o tamanho do rombo da Coteminas, uma das principais indústrias têxteis do Brasil, com fábrica em Blumenau. Ao recorrer à Justiça para pedir proteção contra credores, a companhia se viu “forçada” a abrir dados da operação até então ignorados. O último balanço operacional oficial divulgado pela empresa é referente ao primeiro trimestre de 2023. Os números até então conhecidos, portanto, estavam defasados.

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Além de informar uma dívida de R$ 2 bilhões, a Coteminas revela na petição inicial protocolada na 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, onde corre o processo de recuperação judicial, que viu o faturamento bruto despencar de R$ 3 bilhões, em 2021, para cerca R$ 1 bilhão em 2023. A Ammo, braço varejista da companhia que está no centro de uma disputa por ações com um fundo de investimento, representou 40% desse montante.

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O prejuízo acumulado no último foi de R$ 759 milhões. Em 2022, o resultado já havia sido negativo em R$ 466 milhões. A crise financeira desencadeou “centenas” de execuções e cobranças cujos valores, somados, superam a quantia de R$ 200 milhões. Segundo a Coteminas, os exequentes “têm insistentemente requerido o deferimento de medidas constritivas e a interrupção no fornecimento de bens e serviços”.

No documento, a companhia alega que tem buscado credores com o intuito de alongar ou repactuar dívidas, mas que “a cada dia que passa se vê em posição de maior vulnerabilidade”. A Coteminas diz estar sendo pressionada a aceitar juros e condições de alongamento “complemente abusivos e desproporcionais” que poderiam inviabilizar completamente suas atividades.

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“Por meio do presente pedido de recuperação judicial, as requerentes pretendem estabelecer um ambiente equilibrado para renegociação das dívidas do grupo com seus credores, garantindo, assim, a preservação de suas atividades e, por conseguinte, a manutenção dos postos de trabalho, da produção de bens, da geração de riquezas e de sua função social”, defende o escritório que representa a Coteminas no caso na petição inicial.

Outra estatística revela uma das facetas mais tristes da crise: a Coteminas chegou a ter 11,7 mil funcionários, mas atualmente diz gerar somente cinco mil empregos diretos. Em outubro do ano passado, a coluna revelou que a onda de demissões não atingiu apenas Blumenau, onde mais de 700 pessoas ganharam a conta em 2023. Ao todo, cerca de 1,7 mil colaboradores haviam sido desligados desde julho. Os cortes incluíram também as fábricas de Montes Claros (MG), sede da companhia, e João Pessoa (PB).

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