Entenda o que é a geração dos “emocionados”

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No início de uma relação, a pessoa que expressa os sentimentos é vista como "emocionada" (Imagem: Roman Samborskyi | Shutterstock)

No início de uma relação, a pessoa que expressa os sentimentos é vista como "emocionada" (Imagem: Roman Samborskyi | Shutterstock)


No início de um relacionamento amoroso, por vezes, surge a questão: expressar ou não os sentimentos? Para alguns, ser honesto desde o começo é visto como um ato de bravura. Todavia, cada vez mais, essas pessoas são estigmatizadas como “emocionadas” por revelarem seus sentimentos intensa e rapidamente.

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Se pararmos para pensar na origem da palavra “emoção”, que do latim – ex movere – significa “mover para fora”, podemos dizer que, em termos de relacionamento, isso acontece quando a pessoa revela à outra aquilo que está sentindo ou pensando. Para a psicóloga e escritora, especialista em relacionamentos, Tatiane de Sá Manduca, é justamente o diálogo que pode abrir portas para uma relação.

“Relacionar-se pressupõe uma presença mútua, em que ambos são presentificados, demonstrando abertura, interesse e disposição para se envolverem um com o outro. Em tempos de liquidez, a sinceridade consigo mesmo e com o outro abre espaço para alteridade, e este é um elemento chave para quem deseja e valoriza construir uma relação”, afirma.

Jogo do desinteresse

Na obra “Será que é amor?”, segundo livro de Tatiane de Sá Manduca, a autora traça um paralelo com os famosos “joguinhos” que muita gente costuma fazer antes de se envolver de fato com alguém. “Algumas pessoas acreditam que a indiferença é uma forma de capturar a atenção do outro, na tentativa de colecionar desejos e preservar o narcisismo; e o imperativo é não se frustrar diante da decepção de não ser quisto pelo outro”, diz.

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Ela menciona diversas letras de músicas do repertório nacional para ilustrar a maneira como nós, muitas vezes, lidamos e encaramos o amor. Em uma destas citações, ela relembra da famosa letra de Evidências, da dupla Chitãozinho & Xororó… “Eu me afasto e me defendo de você, mas depois me entrego”.

O termo “emocionado” tornou-se pejorativo em uma sociedade que valoriza a individualidade e desvaloriza os sentimentos (Imagem: fizkes | Shutterstock)

Importância de se validar

Com o tempo, o termo “emocionado” ganhou um sentido pejorativo, em uma sociedade que prioriza cada vez mais a individualidade e não valida os próprios sentimentos. “Será que estamos construindo uma sociedade cada vez mais distante do laço afetivo e de experiências de ligação?”, questiona Tatiane de Sá Manduca.

A resposta é: depende. Depende dos objetivos e do que se busca no outro. Não se pode esquecer também das pessoas que exigem ser correspondidas na sua totalidade, em todas as suas necessidades ou “neuroses” pelo outro.

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Por isso, Tatiane de Sá Manduca reitera sobre a importância do diálogo. “O desencontro entre as palavras e a escuta fecha as portas para o diálogo, para a possibilidade de escutar na tentativa de uma possível aproximação do mundo alheio a nós”, observa.

Tempo e construção

A geração dos “emocionados” é apontada como aquela que demonstra seus anseios e vontades num curto intervalo de tempo. Isso acontece porque se criou a ideia de que, para começar um namoro, é preciso levar um determinado tempo (sejam dias, meses ou anos), e não necessariamente precisa ser assim.

No entanto, para a psicóloga, as relações estão baseadas muito mais em experiências, do que no tempo em si. “O amor é também uma oportunidade de a gente se ver pelos olhos do outro, de poder ser como a gente é. O amor tem a ver com a intimidade, com uma construção que acontece no tempo, tempo este da experiência e de reconhecer o outro, não como uma extensão de nossas fantasias”, finaliza.

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Por Bianca Goes