Jornalista brasileira se revolta com assédio durante transmissão ao vivo nas Olimpíadas

Repórter estava ao vivo na TV Brasil contando como tinha sido o dia dos atletas do Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris 2024

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Jornalista brasileira é vítima de assédio durante transmissão ao vivo nas Olimpíadas

Verônica Dalcanal é correspondente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) nas Olimpíadas de Paris 2024 (Fotos: Reprodução TV Brasil | Arquivo Pessoal)

A jornalista brasileira Verônica Dalcanal, correspondente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) nas Olimpíadas de Paris 2024, foi vítima de assédio de três homens durante uma transmissão ao vivo para a TV Brasil nesse sábado (4).

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Verônica Dalcanal entrou ao vivo na TV Brasil, no intervalo da transmissão de uma partida da Série B do Campeonato Brasileiro, para contar como tinha sido o dia dos atletas brasileiros em Paris 2024. Foi então que três homens, aparentemente estrangeiros, se aproximaram dela e começaram a cantar.

Em seguida, um deles se aproximou da jornalista brasileira e beijou seu rosto sem consentimento. Imediatamente, Verônica Dalcanal repeliu o gesto do homem, então outro dos homens também a beijou, sem consentimento e também sendo repelido pela jornalista.

“Situação é triste e revoltante”

A jornalista que foi vítima do assédio destacou que a situação é revoltante e triste, e se torna uma lembrança ruim em meio ao sonho de realizar a cobertura de uma Olimpíada. Veja a declaração da profissional:

“Acho revoltante que jornalistas mulheres ainda passem por esse tipo de situação trabalhando. Pessoalmente, fico também triste porque essa cobertura vai ficar marcada também por esse episódio. Cobrir os Jogos Olímpicos em Paris é um sonho profissional que tive a felicidade de poder realizar. Como outros colegas, queria lembrar dessa cobertura apenas pelas entrevistas, pelas matérias escritas, pelas entradas ao vivo e pela emoção de acompanhar nossos atletas. Infelizmente não será assim. Mas vou me lembrar também da solidariedade dos meu colegas aqui e no Brasil, fundamentais para que eu encerre o dia de hoje bem. Em Paris as mulheres puderam participar de uma Olimpíada pela primeira vez. Nessa edição dos jogos buscou-se a igualdade no número de atletas homens e mulheres participando. 124 anos depois. Infelizmente ainda precisamos brigar para sermos tratadas com respeito. Mas não estamos sozinhas na luta”, declarou Verônica.

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A ministra das mulheres, Cida Gonçalves, e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) prestaram solidariedade à jornalista Verônica Dalcanal, e classificaram o crime como “inaceitável”.

“Essa é uma Olimpíada especial para a igualdade entre homens e mulheres no esporte. Pela primeira vez o Time Brasil tem maioria feminina e, das nossas medalhas até hoje, a maioria foi conquistada por mulheres. É inaceitável que acreditem ter propriedade sobre nossos corpos, e que jornalistas e outras mulheres em espaços de poder passem por situações como essa. Precisamos ser respeitadas em todos os espaços”, disse a ministra por meio de suas redes sociais.

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Por meio de nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, também se solidarizou e disse ser “inaceitável que jornalistas mulheres continuem sendo vítimas dessa violência”.

“A Secom dará o apoio que se faça necessário nesse momento. Saudamos toda a equipe da EBC – em Paris e no Brasil – que com seu profissionalismo e dedicação vem fazendo a cobertura da participação brasileira nos Jogos Olímpicos, levando informação de qualidade nos mais diversos meios para todo o país e fortalecendo a comunicação pública e governamental”, publicou a Secretaria.

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O presidente da EBC, Jean Lima, declarou ser “inadmissível que mulheres ainda sejam submetidas a esse tipo de agressão, principalmente jornalistas no exercício da sua profissão. Verônica, minha solidariedade”.

*Pablo Brito é estagiário sob supervisão de Diogo Maçaneiro

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