Os bastidores da troca de comando na Fundação Catarinense de Cultura

Membro da ala ideológica do governo, Rafael Nogueira envolveu-se em polêmicas

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Rafael Nogueira

Rafael Nogueira deixou o comando da FCC (foto: Divulgação)

A troca de comando na Fundação Catarinense de Cultura (FCC), confirmada nesta sexta-feira (6) pela coluna de Anderson Silva, sela o fim da breve passagem de Rafael Nogueira pelo órgão que coordena as políticas culturais em Santa Catarina. Paulista, ex-presidente da Biblioteca Nacional no governo Bolsonaro, e nomeado como parte da ala ideológica do governo Jorginho, Nogueira envolveu-se em algumas polêmicas à frente da FCC – mas foram outras razões que o apearam do cargo.

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O setor cultural vinha demonstrando descontentamento com a condução da Fundação. A gota d´água foi a publicação de uma Instruçao Normativa, no fim de agosto, que colocou uma série de entraves no Programa de Incentivo à Cultura (PIC), incluindo a exigência de que os projetos inscritos tivessem 30 anos de funcionamento.

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A mudança de regras veio após cobrança do Tribunal de Contas por mais transparência – mas, na avaliação do setor, não resolveu o impasse e agravou o cenário de atraso na análise de projetos.

A lista de reclamações incluiu o não lançamento do Prêmio Elisabete Anderle de incentivo à cultura em 2024, e a falta de integração com programas nacionais como a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo. Integrantes do setor também reclamam que o Programa de Integração e Descentralização da Cultura (IDC) ficou com dinheiro parado na conta, sem destinação.

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Há ainda a demora na reabertura do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), que segue fechado desde o auge da pandemia. Outro caso semelhante é o do Museu do Mar, em São Francisco do Sul. Em agosto de 2023 o Governo do Estado autorizou o início das obras no local, a serem contratadas pela FCC – mas, até agora, o projeto não avançou. O museu está interditado desde 2021.

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Esse cenário azedou a relação de Nogueira com o governo, e nem o apadrinhamento do presidente da FCC pelas deputadas Ana Campagnolo (PL) e Carol De Toni (PL) conseguiu reverter a avaliação de que era hora de mudança. A informação de bastidor é que as “madrinhas” sequer intercederam pelo indicado.

Em dezembro, uma exoneração de Rafael Nogueira “por engano” já havia dado o que falar. O governo corrigiu a publicação e informou, na época, que a troca de nomes teria ocorrido por erro de digitação.

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Fora da FCC, Rafael Nogueira deve continuar no governo, em um cargo ainda não divulgado. Em seu lugar entra Maria Terezinha Debatin, que já comandou a FCC no governo Raimundo Colombo. Ela tem livros publicados em poesia, música, gestão, cabala e numerologia, e é um quadro de confiança de Jorginho. A missão dada a Maria Terezinha pelo governador foi arrumar a casa.