SC adota processo “quase industrial” para garantir segurança na doação de órgãos

Com três etapas de prevenção, a doação de órgãos para transplantes nunca registrou incidentes no Estado

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Apenas 28% das famílias recusaram a doação de órgãos (Foto: Ricaro Wolffenbüttel/Secom)

Processo de testagem do doador leva até três dias em média (Foto: Ricaro Wolffenbüttel, Secom)

Em um processo que pode levar de dois a três dias, em média, Santa Catarina garante que a doação de órgãos no Estado não tenha incidentes, como o registrado recentemente no Rio de Janeiro, onde pacientes receberam órgãos infectados com o vírus HIV.

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Joel de Andrade, coordenador da Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina, a SC Transplantes, considera os procedimentos feitos no Estado quase “industriais”. São três camadas de prevenção, para garantir que a doação ocorra sem incidentes.

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— É lindo de ver, é um processo muito seguro — diz Andrade. Segundo ele, a SC Transplantes nunca registrou casos de infecções por doenças após as doações.

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Toda a testagem do sangue do possível doador é feita pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc), em Florianópolis, não importa de onde seja o doador. Antes da testagem, no entanto, o sangue do possível doador é coletado e enviado ao Hemosc. Esta amostra fica com o centro até a família decidir sobre a doação de órgãos. Se sim, iniciam as próximas etapas. Se não, a amostra é descartada.

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Antes mesmo da coleta, no entanto, os hospitais fazem um levantamento prévio do paciente: hábitos e possíveis doenças, por exemplo. Estas informações são repassadas à Central de Regulação, e depois são avaliadas por um médico. Após isso, a família é entrevistada.

Depois da análise dos dados preliminares, a coleta de amostras de sangue é feita para a testagem do Hemosc. O centro testa a amostra para doenças como HIV e outras que podem ser transmitidas ao paciente que receberá o órgão.

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Mesmo que os testes deem negativo para estas doenças, novas informações podem interromper todo o processo de doação. O coordenador da SC Transplantes relembra um caso em que, no meio do processo, as equipes médicas foram informadas que a esposa do possível doador era portadora de HIV. Para evitar uma possível transmissão, a doação não continuou.

Com a doação autorizada pela família e as testagens necessárias feitas, aí sim o paciente vai para a cirurgia, onde os órgãos são retirados para doação. Todo o processo, da identificação do possível doador até a retirada, pode durar, em média, de dois a três dias, mas Andrade reforça que, em hospitais mais afastados da Capital, as etapas podem levar mais tempo em função da logística.

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Doação de órgãos em SC

Só em agosto deste ano, a lista de espera por um órgão em Santa Catarina era de 1.413 pacientes. A espera não é linear, ou seja, quem está há mais tempo na lista não tem, necessariamente, prioridade. Isso porque cada caso é avaliado separadamente, com critérios de urgência.

De janeiro a agosto de 2024, Santa Catarina teve 216 doações efetivadas. De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Estado possui a segunda maior taxa de doação do país, com 40,7 doações por milhão de população (pmp). O estado do Paraná é o que tem a maior taxa no momento.

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A taxa de não-autorização das famílias em Santa Catarina também é uma das menores, com 35%, enquanto a média nacional é de 45%.

Para ser doador de órgãos, é preciso comunicar a família, já que a doação só acontece com autorização familiar. Não é necessário deixar documentos escritos.

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