Fábrica de iates de luxo em SC fala em retirada de investimentos com IPVA dos barcos

Sindifisco prevê receita adicional bilionária ao Brasil com ampliação da base de cobrança do IPVA

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Francesco Caputo

Francesco Caputo, CEO da Azimut no Brasil (foto: Divulgação, Azimut)

CEO da Azimut Yachts no Brasil, Francesco Caputo diz que a implementação do IPVA para embarcações fará os investimentos migrarem para o exterior. O estaleiro da marca em Itajaí é o único da empresa fora da Itália e produz seis modeos de embarcações, com preços que chegam a ultrapassar R$ 55 milhões por barco. 

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– Em Santa Catarina, apenas o estaleiro da Azimut Yachts paga mais de R$ 150 milhões de impostos por ano ao governo e tem investimentos significativos previstos para o país. Ou seja, apenas um único estaleiro já supera a arrecadação prevista em Santa Catarina (com o IPVA), em torno de R$ 144 milhões com essa taxação. Além disso, com essa medida, infelizmente, teremos que direcionar grande parte dos investimentos dedicados ao crescimento e expansão no Brasil para o mercado externo – afirmou Caputo à coluna.

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A taxação de embarcações de lazer não é uma novidade no setor, nem uma inovação brasileira. Outros países no mundo adotam adotam essa política, como Austrália, Inglaterra e a maioria dos estados nos Estados Unidos. Isso leva muitos proprietários a registrarem as embarcações em paraísos fiscais como Panamá, Ilhas Cayman e Malta. Nesses locais, a tributação não existe ou é mais baixa.

– Em relação à implantação do IPVA para embarcações no Brasil, alerto que a exemplo de outros países, como na Itália, após a introdução de um imposto como este, vimos uma queda abrupta de 90% na demanda por embarcações, o que fez quebrar, praticamente, todos os estaleiros que só trabalhavam com o mercado nacional, sem falar nos empregos. Logo após o governo italiano observar os prejuízos causados pelo novo imposto, a taxação foi cancelada, mas já era tarde demais pelos impactos negativos gerados a todo o setor – afirmou Caputo.

Veja iates da Azimut produzidos em SC:

O principal argumento doa fabricantes de iates contra o IPVA dos barcos é a empregabilidade do setor. Afirmam que se trata de um trabalho predominantemente artesanal, que gera um número expressivo de vagas, tanto na fabricação quanto na operação dos barcos.

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– É um setor que trabalha de forma artesanal e que tem alta empregabilidade, diferente da indústria de carros. É importante que o governo entenda que não de trata da cobrança de impostos a um barco milionário. Mas o que essa venda representa para milhares de pessoas. Para construir apenas um barco de 80 pés, dentro da fábrica, cerca de 100 pessoas são envolvidas. Depois de um barco pronto e entregue ao proprietário, a movimentação econômica envolvida é altíssima, com manutenção, marinas, turismo, serviços e outros – diz Caputo.

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Uma projeção feita em 2020 pelo sindicato que representa os auditores da Receita Federal, o Sindifisco Nacional, avaliou que a ampliação da base do IPVA traria uma receita adicional de R$ 4,7 bilhões por ano ao Brasil – e quase 90% desse incremento viria da taxação de embarcações.

Santa Catarina responde por 70% da produção de barcos de lazer no Brasil e deve ultrapassar a geração de 60 mil empregos diretos e indiretos, segundo projeções do setor. A concentração dos estaleiros ocorreu após o Governo do Estado ter instituído o programa Pró Náutica, que oferece descontos tributários de até 72% para instalação e operação em SC.