“Foram mais de 30 tiros”, diz pai de jovem baleada na cabeça pela PRF no RJ

Juliana Leite Rangel segue internada e entubada em estado gravíssimo, informou o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes

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“Foram mais de 30 tiros”, diz pai de jovem baleada na cabeça pela PRF no Rio

Caso aconteceu na última terça-feira (24), na rodovia Washington Luís, BR-040, no Rio de Janeiro (Foto: TV Globo, Reprodução)

O pai de Juliana Leite Rangel, jovem baleada na cabeça pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Rio de Janeiro, disse que o carro da família foi alvo de mais de 30 tiros. Alexandre Rangel, de 53 anos, contou que ele, a esposa e os dois filhos estavam indo passar a ceia de Natal na casa de outra filha quando os disparos aconteceram. As informações são do O Globo

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— A gente foi passar o Natal na casa da minha outra filha. Estávamos com a ceia toda no carro. Olhei pelo retrovisor, vi o carro da polícia e até dei seta para eles passarem, mas eles não ultrapassaram. Aí começaram a atirar, e falei para os meus filhos deitarem no assoalho do carro. Eu também me abaixei, sem enxergar nada à frente, e fui tentando encostar. O primeiro tiro acertou nela. Quando paramos, pedi para o meu filho descer do carro, então olhei para Juliana: ela estava desacordada, toda ensanguentada, tinha perdido muito sangue. Eles chegaram atirando como se eu fosse um bandido. Foram mais de 30 tiros — falou. 

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Agentes da PRF admitem erro e reconhecem que atiraram em jovem de 26 anos

Alexandre, que foi atingido nos dedos, conta que os vidros dianteiros do carro estavam abertos. Ele chegou a pensar que toda família iria morrer. 

— Meu Natal acabou ali. Eles nem me abordaram, só atiraram. Meu dedo está com o osso todo exposto. Se tivessem nos abordado, com certeza teríamos parado. A janela dianteira do carro estava aberta, mas o vidro é escuro. Naquele momento, só pensava que era o nosso fim. Depois, só pedia para não deixarem minha filha morrer. Creio e estou rezando para que ela saia dessa — desabafou.

Em nota, a Prefeitura de Duque de Caxias, através da Secretaria Municipal de Saúde e direção do Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, informou que “a paciente, que foi atingida por arma de fogo (PAF) em crânio, foi entubada e encaminhada diretamente para o centro cirúrgico, onde passou por procedimento, sem intercorrências. No momento, seu quadro de saúde é gravíssimo”.

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A mãe de Juliana, Dayse Rangel, falou que os agentes demoraram para fazer o atendiemento da jovem.

— Eles não socorreram ela. Quando eu olhei eles estavam deitado no chão batendo no chão com a mão na cabeça. E eu falei: “não vão socorrer não?” — questionou a mãe.

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Veja as fotos de Juliana

Agentes foram afastados do cargo

A equipe da PRF envolvida no caso, composta por uma mulher e dois homens, foi afastada do cargo nesta quarta-feira (25).

Conforme Vitor Almada, superintendente da PRF no Rio de Janeiro, os agentes costumam trabalhar no serviço administrativo e estavam fazendo patrulhamento em escala de plantão de Natal. Os policiais usavam dois fuzis e uma pistola automática. As armas foram apreendidas para perícia.

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Em depoimento, os agentes informaram que ouviram disparos quando se aproximaram do carro da família de Juliana. Os policiais deduziram que os tiros vinham do veículo em que a jovem estava, mas depois descobriram que tinham cometido um grave equívoco.

Em nota, a PRF disse que determinou a abertura de um procedimento interno relacionado ao caso e informou o afastamento dos agentes envolvidos (veja abaixo). A PF também se manifestou e disse que um inquérito foi instaurado para apurar a situação.

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Nota da PRF

“Na manhã desta quarta-feira (25), a Corregedoria-Geral da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília/DF, determinou abertura de procedimento interno para apuração dos fatos relacionados à ocorrência da noite de ontem, na BR-040, em Duque de Caxias/RJ. Os agentes envolvidos foram afastados preventivamente de todas as atividades operacionais.

A PRF lamenta profundamente o episódio. Por determinação da Direção-Geral, a Coordenação-Geral de Direitos Humanos acompanha a situação e presta assistência à família da jovem Juliana.

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Por fim, a PRF colabora com a Polícia Federal no fornecimento de informações que auxiliem nas investigações do caso”. 

Nota da PF

“A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar os fatos relacionados à ocorrência registrada na noite desta terça-feira (24/12), no Rio de Janeiro, envolvendo policiais rodoviários federais.

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Após ser acionada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma equipe da Polícia Federal esteve no local para realizar as medidas iniciais, que incluíram a perícia do local, a coleta de depoimentos dos policiais rodoviários federais e das vítimas, além da apreensão das armas para análise pela perícia técnica criminal”. 

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