Após avaliar riscos, Conselho Federal de Medicina pede banimento de PMMA no Brasil à Anvisa

Reunião entre os dois órgãos deve acontecer na tarde desta terça-feira (21)

Compartilhe:

Até o momento, o CFM não tinha posicionamento claro sobre o uso da substância (Foto: Banco de Imagens)

O Conselho Federal de Medicina (CFM) afirma que vai pedir o banimento do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos de preenchimento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A reunião na qual o pedido deve ser feito acontece na tarde desta terça-feira (21). As informações são da Folha de S. Paulo.

Continua após a publicidade

Clique aqui para receber as notícias do NSC Total pelo Canal do WhatsApp

Até o momento, o CFM não tinha posicionamento claro sobre o uso da substância que é liberada pela Anvisa para fins estéticos e reparadores, como o preenchimento cutâneo e muscular.

Continua após a publicidade

De acordo com o CFM, mesmo sendo liberada pela Anvisa, a substância tem trazido riscos graves e irreversíveis aos pacientes, como granulomas, infecções, hipercalcemia e insuficiência renal.

Após perder lábio com PMMA, influenciadora reconstrói rosto com projeto gratuito de SC

O que é o PMMA?

O PMMA é um tipo de bioplástico que é usado como preenchedor permanente. Originalmente, a substância foi desenvolvida para fins médicos e odontológicos, devido à durabilidade e biocompatibilidade.

8 riscos da harmonização facial com PMMA

Continua após a publicidade

Posteriormente, as aplicações se expandiram para a área estética, onde é utilizado como preenchimento para corrigir deformidades e adicionar volume a certas áreas do corpo, como é o caso de lipodistrofia, uma alteração da quantidade de gordura no organismo.

Por ser um componente plástico, não é reabsorvível pelo corpo. Quando introduzido no organismo, se adere a estruturas como músculo, pele e osso. Por isso, remover o PMMA sem causar danos a essas estruturas é quase impossível.

Continua após a publicidade

Ainda neste mês, uma mulher de 46 anos foi encontrada morta em casa um dia após passar por um procedimento de harmonização de glúteos com PMMA, no Recife. Agora, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) investiga o caso, bem como a Polícia Civil. Adriana Barros Lima Laurentino teria passado por uma intervenção para ganho de volume e redução de celulite e flacidez.

Os procedimentos que incluem e precisam de PMMA devem ser indicados e realizados por médicos, afirma a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), porque “podem produzir resultados imprevisíveis e indesejáveis, incluindo reações permanentes e persistentes“.

Continua após a publicidade

A SBD contraindica o uso PMMA para fins cosmiátricos [procedimentos para melhorar a aparência física de uma pessoa]. Por outro lado, reconhece que, apesar dos efeitos adversos, o PMMA continua a ser uma ferramenta valiosa para o tratamento reparador de lipoatrofias faciais e corporais, como por exemplo em algumas pessoas vivendo com HIV e Aids que ainda necessitam da referida reabilitação, e, portanto, não podem ser marginalizados“, afirmou a organização em um comunicado.

Em 2024, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) já havia defendido o banimento do PMMA pela Anvisa, alegando que o “material é inadequado para aplicações estéticas, especialmente considerando que sua remoção, em caso de complicações, frequentemente resulta em procedimentos mutilantes e com impacto funcional e estéticos significativos“.

Continua após a publicidade

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), também no ano passado, tinha pedido a suspensão da comercialização, venda e distribuição de produtos com PMMA à Anvisa. O posicionamento veio após a morte da influencer Aline Ferreira, de 33 anos, causada por complicações em decorrência da aplicação de PMMA nos glúteos em Goiânia.

*Sob supervisão de Andréa da Luz

Continua após a publicidade

Leia também

Tanzânia confirma surto de Marburg, vírus com alta taxa de letalidade

Saiba como aumento de bactérias intestinais pode ser alternativa natural ao Ozempic

Continua após a publicidade

Programa Dignidade Menstrual beneficiou mais de 10 mil catarinenses em um ano