Com que vinho eu vou…

Descubra as origens milenares do Carnaval e como ele se transformou na festa mais vibrante e colorida do Brasil, com dicas de vinhos para aproveitar a folia com estilo

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(Foto: Banco de imagem)

Fantasia pronta e animação em alta, calor passando dos 30 graus e com previsão de muito sol chegou o carnaval, a festa mais colorida e divertida do ano no Brasil.

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Mas para quem acha que carnaval é coisa de brasileiro, errou de longe literalmente. O carnaval nasceu muito longe daqui, com origem na Antiguidade e também possui relação com festivais realizados na Babilônia (hoje Iraque), as duas festas que deram origem ao que hoje conhecemos como carnaval, as Saceias eram uma celebração em que um prisioneiro assumia, por alguns dias, a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma que o rei e dormindo com suas esposas; ao final o prisioneiro era chicoteado e morto. Outro rito era realizado pelo rei no período de comemoração do ano novo na Mesopotâmia (Hoje Iraque e partes da Jordânia e Irã) o rito ocorria no templo do deus Marduk, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado em frente a estátua de Marduk. Esta humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono. O que havia de comum nas duas festas e que está até hoje ligado ao carnaval é este caráter de subversão dos papeis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei em frente ao seu deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais no Carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres, ou fantasiar-se de outros personagens é associável a esta tradição mesopotâmica.       

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Na Europa, um dos mais antigos Carnavais, o de Veneza, teve início em 1094, na famosa Praça de São Marcos. O Carnis levale ou Carne vale surgiu como um período para as pessoas extravasarem seus desejos antes de iniciarem a quaresma, período em que os cristãos devem fazer jejum e se abstém dos prazeres mundanos. A expressão que significa “retirar a carne” representa o Carnaval exatamente como o momento de preparação para que os prazeres carnais fossem retirados. Aqui originaram-se as festas de origem greco-romana, como os bacanais. Estas festas seriam dedicadas aos deuses do vinho, Baco para os romanos e Dionísio para os gregos, marcados pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne; estas festas duravam dias, com comidas, bebidas e danças.

Na idade média com o fortalecimento da Igreja Católica, que não via com bons olhos estas celebrações onde as pessoas se entregavam aos prazeres mundanos, a igreja tentou ressignificá-las dando um sentido mais cristão, e durante a idade média foi criada a Quaresma – período de 40 dias antes da páscoa caracterizado pelo jejum, estabelecendo um período de severidade religiosa e sem excessos.

No Brasil o Carnaval chegou por meio dos portugueses, no período da colonização. em terras tupiniquins uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, que existia em Portugal e foi trazida entre os séculos XVI e XVII, tornando-se bastante praticada pela camada popular. Nesta festa as pessoas saiam às ruas, para sujarem umas às outras com águas perfumadas e líquidos mal cheirosos como urina e lama. Com o tempo essas práticas nada agradáveis foram substituídas por grupos fantasiados, carros alegóricos que juntamente com o samba tornaram-se essenciais para o carnaval brasileiro, que desde a década de 1930, tornou-se a festa popular mais importante de nosso país.

Como constatamos, pela mitologia Grega Dionísio é o deus que criou o vinho, Viu? como tudo que se relaciona a festas, comemorações e alegria têm relação com esta bebida, aqui literalmente dos deuses. E para quem como eu, não abre mão de vinho, quais as melhores opções para quem vai cair na folia ou relaxar, o vinho será uma excelente companhia.

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Para as comemorações de rua, os  mais leves, frescos, com boa acidez para beber bem gelados irão amenizar o calor. Espumantes, brancos sem passagem em barrica e rosés leves estilo Provençal, que são pouco extraídos e bem refrescantes.

Se você não abre mão dos drinks, pode optar por versões que levam espumantes, deixando a bebida mais leve, menos alcoólica, deliciosa e super refrescante.

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Se o carnaval for na praia, vinhos brancos serão a companhia perfeita, pois além de combinarem com sol e mar, harmonizam muito bem com petiscos de praia e frutos do mar. Opte por brancos com boa acidez e pouco alcoólicos, pois além de refrescar, irão fazer bonito com ostras, mexilhões, siris e camarões.

Porém, se você não abre mão do vinho tinto mesmo no verão (o que eu sugiro que deveria) escolha um leve, sem passagem por barrica, de castas como Pinot Noir, Gamay, Grenache ou Tempranillo, bebendo uns 3 graus abaixo da temperatura de serviço desse estilo. O vinho deve combinar com o clima quente e descontraído do Carnaval, então evite vinhos encorpados,  alcoólicos e barricados. 

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As garrafas com fechamento screw cap, aquelas de rosca, são ideais pois facilitam a abertura da garrafa dispensando o uso do saca rolhas. Mas o que vale é beber um vinho vibrante, descomplicado que combine com a alegria e a descontração desses dias!

E não esqueçam, para se manter saudável no carnaval,  beber muita água é fundamental, podendo ser também água de coco, suco de frutas, alimentem-se  bem, e cuidado com os energéticos. E se for para a rua, não leve taças de vidro. Hoje existem muitas opções charmosas de acrílico, aproveite colocando em prática seu lado artístico e ainda divirta-se personalizando suas taças.

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Néa Silveira
@neasommeliere