Duas cidades de Santa Catarina estão na lista do Ministério da Saúde dos municípios prioritários para a vacinação de adolescentes contra o HPV, vírus que é a principal causa do câncer de colo do útero. A capital catarinense, Florianópolis, e Joinville, juntas, somam mais de 26 mil adolescentes não imunizados. As informações são da NSC TV.
Clique aqui para receber as notícias do NSC Total pelo Canal do WhatsApp
O vírus é uma preocupação que começa com a chegada da adolescência. O HPV, ou papilomavírus humano, é um vírus transmissível que pode causar inúmeras doenças. Uma delas é o câncer de colo de útero, doença que mais mata mulheres até 36 anos e o segundo em mulheres até os 60 anos de idade.
— Na realidade, o vírus é um potencializador das alterações do colo uterino. Você começa com algumas alterações benignas, mas ele acelera a transformação desse benigno para o maligno — esclarece Fernando Lissa, médico cirurgião oncológico ginecológico.
A vacina que previne as doenças causadas pelo HPV é oferecida gratuitamente para crianças e adolescentes no Brasil desde 2014. Ainda assim, a imunização desse público ainda é um desafio.
6 mitos e verdades sobre o HPV e a vacinação
— A gente está tentando quebrar esse paradigma, dizer que as vacinas são seguras, trazem uma segurança para a população pela questão da homogeneidade, que a gente chama de cobertura de rebanho. Se nós tivermos baixas percentagens de vacinação, a gente acaba colocando em risco o restante, inclusive os vacinados — afirma Francielle Gava, gerente de Atenção Primária à Saúde.
Quem pode se vacinar
Atualmente, a campanha de vacinação é feita com crianças e adolescentes de nove a 14 anos de idade, mas muitos já passaram dessa idade sem a imunização. Por isso, a vacinação foi ampliada até os 19 anos. Recentemente, o Ministério da Saúde listou 121 municípios do país com maior número de não imunizados.
— O HPV, como qualquer vírus, tem a questão do contato. Então, a ideia da vacina é você fazê-la antes de ter o contato com o HPV. Isso garante 100% de imunidade — pontua o médico.
O desafio segue também para o público-alvo da campanha de imunização. De acordo com Dados do Ministério da Saúde, enquanto Santa Catarina tem uma vacinação média de 80% para as meninas, com os meninos, a realidade é outra. Seguindo o cenário nacional, para a mesma faixa etária, menos de 70% está vacinado.
— Tem muita gente que pensa que a vacina é para mulher, porque recorda muito da questão da prevenção do câncer do colo de útero. Mas a vacina do SUS contra o HPV também previne, para os meninos, o câncer de pênis, ânus, uretral e o de garganta. A vacina também é para prevenir esses outros tipos de câncer. Chamamos também o público masculino — apela Francielle Gava.
As salas de vacina estão abertas em todo o Estado e com vacinas disponíveis pra imunização, uma proteção que pode evitar muitos problemas.
— A partir da adolescência ou da vida adulta, essa taxa de imunidade cai para 30%. Ou seja, você passa a ter 70% de chance de ser contaminado e, inclusive, espalhar o vírus sem o uso de preservativo — finaliza o médico.
Esquema vacinal do HPV
A orientação, segundo o Instituto Butantan é que a vacina seja aplicada em três doses:
- 1ª dose
- 2ª dose: dois meses após a primeira
- 3ª dose: seis meses após a primeira.
*Sob supervisão de Andréa da Luz
Leia também
Cinco anos depois, SC acumula mais de 2 milhões de casos e 23 mil mortes por Covid-19
De tabus a terapia hormonal: médico lança obra que desmistifica temas ligados à menopausa
Primeiros meses do ano têm queda de 83% nos casos de dengue em SC
