Santa Catarina: Um oásis de vinhos no Brasil

Da chegada dos imigrantes europeus à revolução vitivinícola moderna, descubra como Santa Catarina se tornou um destaque na produção de vinhos finos e de alta qualidade

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(Foto: Banco de imagem)

A história dos vinhos no Brasil teve início com a vinda dos imigrantes europeus no séc. XIX, no ano 1871, quando, junto com poucos pertences, traziam na mala as preciosas mudas de uvas vitiviníferas de seus países de origem, Itália e Alemanha. As mudas que vieram do velho mundo foram principalmente a tinta Nebbiolo e a branca Peverella; porém, estas plantas não se adaptaram ao solo gaúcho e definharam. Então, as uvas americanas, a Vitis Labrusca, mais adaptáveis e resistentes aos fungos e à umidade, foram a solução para que os imigrantes continuassem produzindo e bebendo seu sagrado vinho de cada dia. Como consequência, ainda hoje a produção com uvas de mesa é grande, mas com forte tendência a continuar diminuindo à medida que o brasileiro, conhecendo melhor o mundo dos vinhos, torne-se mais exigente, optando por vinhos produzidos com vitis viníferas.

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A experiência vitivinícola catarinense é bem recente, iniciando em 1982, com a compra da Quinta das Vinhas, em Campos Novos (SC), a 900 metros de altitude, onde se plantou 6 hectares de Riesling Itálico e Merlot. Em 1986, os primeiros vinhos foram elaborados por Jean Pierre Rosier na Cantina Experimental da Epagri em Videira (SC).

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O marco da produção no Planalto Catarinense foi a instalação, em 1999, da Vinícola Quinta da Neve em São Joaquim (SC). O sucesso do empreendimento foi a confirmação da região como muito qualificada para a produção de vinhos, estimulando empresários do setor privado, apaixonados pela bebida, a investir na região. Este fato representa a transformação da Serra Catarinense, quando os empresários, vislumbrando uma produção promissora, sentiram-se atraídos a investir expressivos valores no setor vinícola.

Em duas décadas, houve, e continua havendo, uma verdadeira revolução no setor vitivinícola do Planalto Catarinense e outras regiões. E a vocação para produzir grandes vinhos tem sido comprovada a cada safra, com uma evolução surpreendente.

Enquanto no Rio Grande do Sul a produção de vinhos veio de um legado familiar, constituindo um meio de subsistência e consumo da própria família, em Santa Catarina o perfil dos produtores são empresários da iniciativa privada, enófilos apaixonados por vinhos, que vislumbraram na produção vitivinícola uma oportunidade de negócio, mas, sobretudo, a realização de um sonho.

Outro fator que nos diferencia é o perfil de negócio. As vinícolas de SC, em sua grande maioria, são vinícolas boutique, com pequenas produções, elaboradas de forma artesanal, privilegiando a qualidade e não o volume produtivo. O resultado de tamanho cuidado e dedicação é o reconhecimento e as premiações recebidas no Brasil e pelo mundo, em um curto período de vinte anos.

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A Serra Catarinense, composta pelas cidades de São Joaquim, Bom Retiro, Urubici, Campo Belo do Sul e Urupema, e o Planalto Serrano, que compreende Caçador, Água Doce, Campos Novos, Chapecó, Videira, Treze Tílias, Chapecó e Tangará, estão investindo apenas na produção de vinhos finos (produzidos com uvas vitis viníferas). Nessas regiões, o destaque é para a cidade de São Joaquim por concentrar mais de 50% das vinícolas e empreendimentos voltados para o setor das regiões de altitude. Conquistou o selo da Indicação de Procedência (IP), certificação da origem e qualidade de seus vinhos, ganhando notoriedade da produção e atraindo grande parte do enoturismo para a região.

Com altitudes que variam de 900 a 1.300 metros acima do nível do mar, tem ganho destaque pelas características singulares de seus vinhos, sendo resultado da região mais fria do Brasil. Com terroir com muita tipicidade, onde o inverno chega mais cedo, e as uvas têm um ciclo de amadurecimento mais longo, que influencia diretamente na qualidade da uva e, portanto, do vinho. Outros fatores que influenciam sobremaneira na qualidade das uvas de altitude são:

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  • Longo período de exposição solar – primordial para a completa maturação das uvas e concentrando mais açúcar em seus frutos, o que melhora as qualidades sensoriais dos vinhos.
  • Grande amplitude térmica (diferença entre as temperaturas diurna e noturna) que chega a 15 e 20ºC – essencial para ampliar o período de maturação, resultando em vinhos mais frescos, com maior acidez, favorecendo a complexidade aromática e gustativa dos vinhos, além de concentrar polifenóis, taninos e açúcar, o que também significa aumento da qualidade do vinho.
  • Qualidade do solo basáltico – de origem vulcânica, possui alto teor de ferro e alta acidez, que origina vinhos frescos e agradáveis.
  • Solo com teor elevado de alumínio – este componente baixa a fertilidade do solo, diminuindo a produtividade das videiras, que produzem menos cachos com mais qualidade.

A história da vitivinicultura em Santa Catarina é muito jovem e está sendo construída cotidianamente, mas já se mostra muito rica e com futuro ainda mais promissor, porque a cada dia dá passos importantes. Se olhar para a curta história, já foram feitos progressos impressionantes e a qualidade de seus vinhos é potencial e inquestionável.

Como estamos no mês de Vindima em Santa Catarina, nada melhor que iniciarmos nossos encontros mensais de 2025 com o Happy Wine – Especial Vindima. No próximo dia 27 de março, vamos reunir seis produtores e seus vinhos no LK Design Hotel, para uma linda noite de vinhos que serão harmonizados com gastronomia assinada pelo Chef Felipe Silva do Osli Restaurante, trazendo o clima da Vindima para Florianópolis. Será uma noite memorável e inesquecível! Esperamos vocês!

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Saúde!
Néa Silveira
@neasommeliere