O jogador do América-MG Miguel Terceros, conhecido como Miguelito, foi liberado da prisão em Ponta Prossa (PR) após ter sido detido em flagrante por crime de injúria racial contra o atacante Allano, do América-RJ. O caso aconteceu durante o jogo do América-MG x Operário-PR neste domingo (4), pela sexta rodada da Série B do Brasileiro.
Confira imagens do jogo entre Operário-PR e América-MG
O jogador teve a liberdade provisória concedida e vai responder por injúria racial em liberdade. A pena máxima prevista para o crime é de cinco anos de reclusão.
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O pedido de liberdade provisória pela defesa de Miguelito foi acatado pelo juiz Thiago Bertuol de Oliveira, e o jogador não precisou passar por audiência de custódia. De acordo com a decisão, “mesmo os indícios apontando para a provável prática do delito (…) não encontro impedimentos para que possa o flagranteado responder pelo delito em liberdade”.
O caso segue sendo investigado, e tanto o Ministério Público (MP) quanto a Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ainda podem apresentar denúncia contra o atleta.
Entenda o caso
Segundo informações do ge, a denúncia aconteceu depois de uma disputa de bola, os jogadores aguardavam o arremesso lateral quando Miguelito virou em direção ao atacante do Operário-PR, que foi para cima do meia do América-MG, junto com Jacy, também do Fantasma, que estava próximo. Em seguida, eles foram até o árbitro para falar sobre o ocorrido.
O árbitro Alisson Sidnei Furtado utilizou então, aos 30 minutos do primeiro tempo, o protocolo antirracista da Fifa e da CBF, sinalizando com os braços cruzados, na altura do peito, em forma de “X”. A denúncia de injúria racial deve constar na súmula do jogo.
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A partida parou por 15 minutos para uma possível verificação de imagens, mas foi retomada sem alterações ou cartão. Neste tempo, aconteceu outra confusão, entre os jogadores do América-MG e torcedores do Operária-PR que estavam atrás do banco. Segundo o Operário-PR, um torcedor foi identificado por ter jogado um copo nos jogadores do América-MG e foi retirado por policiais militares.
Quando o jogo recomeçou, Allano recebeu amarelo por uma entrada mais forte em Miguelito. O jogador do América-MG foi substituído no intervalo.
Próximos passos
De acordo com a Polícia Civil do Paraná, após o término da partida, o autor, a vítima e a testemunha foram conduzidas por uma equipe da Polícia Militar até a sede da 13ª Subdivisão Policial. Após ouvir os envolvidos, foi dada voz de prisão em flagrante a Miguelito. O jogador permanecerá detido até a realização da audiência de custódia.
A Polícia Civil já estabeleceu contato com os canais de transmissão da partida, através do advogado do Operário-PR, para obter imagens que possam ter registrado a fala racista. O jogador do América-MG teria proferido a expressão “Preto do C***” contra o jogador do Fantasma.
O Inquérito Policial deverá ser concluído nos próximos dias e a pena máxima prevista para o crime de injúria racial é de 5 (cinco) anos de reclusão.
O América-MG ainda não se manifestou sobre o caso até as 13h45min desta segunda-feira (5).
Confira a nota do Operário-PR sobre o caso
Allano denunciou para a arbitragem falas racistas do camisa 7 do América-MG. O árbitro Alisson Sidnei Furtado acionou o protocolo de racismo, simbolizado por um X com os braços, e resolveu retornar a partida sem alterações.
Com a denúncia de racismo, a torcida do Operário mostrou indignação e, no momento, arremessou copo com líquido em direção ao banco de reservas visitante. O camisa 4 do América identificou e o torcedor foi retirado da arquibancada.
O Operário Ferroviário irá prestar todo apoio ao jogador Allano e lamenta a continuidade da partida sem modificações, uma vez que o protocolo foi acionado, e está buscando imagens claras que confirmem a alegação.



