Por que Bolsonaro se sente à vontade para colocar o filho Carlos como candidato em SC

Sem ouvir qualquer liderança catarinense, a escolhe de Jair foi tomada

Compartilhe:

(Foto: Renan Olaz/CMRJ)

Há quem estranhe o movimento do ex-presidente Jair Bolsonaro ao colocar Carlos Bolsonaro, o filho 03, como pré-candidato ao Senado por Santa Catarina em 2026. Aliás, muitos dos que hoje manifestam surpresa e adotam posicionamentos fervorosos são os mesmos que permitiram que Jair se sentisse tão à vontade em território catarinense a ponto de lançar um vereador do Rio de Janeiro para disputar uma das três vagas ao Senado que o Estado possui. E é justamente por esse “cheque em branco” dado pelos catarinenses que o ex-presidente se sente à vontade para fazer o que quiser por aqui.

Continua após a publicidade

Vale lembrar que, durante seu tempo no Palácio do Planalto, Jair visitou Santa Catarina pelo menos 15 vezes. E entregou praticamente nada. Tudo bem, sejamos justos: para não dizer que foi nada, participou da entrega de carros para a assistência social do Estado, em 2021. Querendo ou não, foi alguma coisa. Mas muito aquém da expectativa e das necessidades reais de SC.

Na maioria das visitas, veio para descansar. Andou de jet ski, almoçou, jantou, foi aclamado de braços abertos, inclusive por lideranças empresariais. Repasses significativos de recursos? Passaram longe. Na prática, o ex-presidente não tem do que reclamar dos catarinenses. Muito pelo contrário: a receptividade foi sempre calorosa, inclusive nas urnas.

Continua após a publicidade

Além de “esmagar” seus adversários à presidência da República em Santa Catarina, Jair também provocou duas grandes ondas eleitorais. Elegeu dois governadores e formou bancadas históricas, tanto do PSL quanto do PL, para a Alesc e para a Câmara dos Deputados. Ao Senado, fez algo parecido com o que agora pretende para Carlos, o filho 03: elegeu Jorge Seif, um carioca sem qualquer atuação política relevante no Estado até então.

Mais recentemente, viu o filho 04, Jair Renan, ser eleito vereador em Balneário Camboriú. Tudo isso na crista da onda bolsonarista. Há, então, algum motivo para Jair, o pai, sentir-se desconfortável? Por que ele escolheria outro Estado, se é aqui que as urnas lhe dão o que ele oferece sem reflexão mais profunda?

O ex-presidente, inclusive, deixou claro em entrevista ao jornalista Paulo Cappelli, do Metrópoles, que se sente à vontade para mandar e desmandar na política catarinense. Veja o que disse:

“Se Carlos saísse candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, atrapalharia deputados do nosso grupo político, como Alexandre Ramagem e Hélio Negão [que perderiam votos]. Já para o Senado no Rio, o candidato é o Flávio, que vai para a reeleição. Então, conversei com o Carlos, e ele pediu para mim [que disputasse o Senado por outro estado]. Eu topei e escolhi Santa Catarina.”

Grife-se o trecho: “escolhi Santa Catarina”. Jair escolheu. Sozinho. Sem ouvir qualquer liderança catarinense. Nem mesmo o governador Jorginho Mello (PL), que já declarou à revista Veja aceitar a indicação. Mas por que Jair ouviria alguém de SC, se nunca foi cobrado pelos aliados sobre o que fez — ou deixou de fazer — no Estado?

Continua após a publicidade

Pois é… Motivo não tem. Afinal, sempre foi aplaudido. Agora, não adianta demonstrar surpresa. A porta foi escancarada, e Jair entrou com a família toda.