Alerta: Garrafas de vidro podem ter até 50x mais microplásticos que as de plástico, aponta estudo

O que as análises revelam sobre bebidas em embalagens consideradas mais seguras

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bebidas garrafa de vidro com microplásticos

Estudos mostram que o vidro não é tão puro quanto se imaginava (Foto: Karolina Grabowska de Pexels)

Bebidas em garrafas de vidro contêm mais microplásticos do que as embaladas em plástico, de acordo com um estudo da agência sanitária francesa ANSES, contrariando a crença popular de que o vidro é mais seguro do que o plástico.

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A pesquisa analisou 30 bebidas de diferentes tipos, incluindo refrigerantes, chás gelados, águas e vinhos disponíveis no mercado francês, e detectou uma média de até 100 partículas de microplásticos por litro nas bebidas envasadas em recipientes de vidro.

Esse número é alarmante porque representa de 5 a 50 vezes mais microplásticos do que os encontrados em bebidas vendidas em garrafas plásticas ou latas metálicas.

A descoberta chama a atenção para o fato de que, mesmo com embalagens tradicionalmente vistas como ecológicas e puras, como o vidro, há uma rota invisível de contaminação que ainda não havia sido amplamente discutida pela comunidade científica ou pelo público consumidor.

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Origem surpreendente da contaminação

O estudo apontou que a maior parte dos microplásticos presentes nas bebidas em garrafas de vidro tem origem nas tampas metálicas utilizadas para vedar esses recipientes.

A tinta que reveste essas tampas, composta por poliéster, parece se desgastar com o tempo e liberar micropartículas que acabam entrando em contato com o líquido armazenado.

Mesmo quando as garrafas são manuseadas com cuidado, as pequenas fricções entre as tampas durante o transporte ou o empilhamento em prateleiras são suficientes para provocar esses danos microscópicos.

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A tinta se solta em fragmentos imperceptíveis e contamina o conteúdo, tornando o vidro uma embalagem não tão inofensiva quanto se imaginava.

Variações entre os tipos de bebidas

A quantidade de microplásticos varia de acordo com o tipo da bebida e a interação com a embalagem. Cervejas e refrigerantes apresentaram maiores concentrações de micropartículas, chegando a 60 partículas por litro.

Já chás e sucos mostraram uma média de 30 a 40 partículas. Curiosamente, águas minerais e vinhos registraram níveis mais baixos, mesmo em garrafas de vidro.

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Essa diferença pode estar relacionada ao tempo de armazenamento e ao tipo de fechamento utilizado.

Bebidas com tampas de rosca metálica, por exemplo, tendem a acumular mais microplásticos do que aquelas fechadas com rolhas de cortiça.

Isso também levanta questionamentos sobre os métodos de envase e conservação adotados pelas indústrias de bebidas.

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Riscos ainda pouco estudados à saúde

Embora ainda não exista consenso científico sobre os impactos exatos da ingestão contínua de microplásticos, a presença dessas partículas nas bebidas é motivo de preocupação crescente.A

A exposição prolongada pode estar associada a efeitos cumulativos no organismo, especialmente no sistema digestivo, imunológico e até endócrino.

A ANSES não chegou a estabelecer um limite de segurança para a presença dessas substâncias nas bebidas, mas alertou que as empresas deveriam implementar medidas imediatas para reduzir essa contaminação.

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Afinal, por mais que os efeitos sejam incertos, o princípio da precaução recomenda agir antes que seja tarde.

Soluções viáveis para a indústria

O estudo sugere medidas simples e eficazes para minimizar a presença de microplásticos nas bebidas em garrafas de vidro.

Entre elas, estão o uso de jatos de ar comprimido para limpar as tampas metálicas antes do envase e a lavagem com água filtrada dos componentes que entram em contato com o líquido.

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Além disso, repensar os materiais de revestimento utilizados nas tampas pode fazer uma grande diferença. O uso de tintas alternativas, menos propensas à fragmentação, pode reduzir drasticamente a liberação de micropartículas.

Essa adaptação, segundo os pesquisadores, não demandaria grandes investimentos e traria benefícios imediatos tanto à saúde pública quanto à imagem das marcas.