A doença periodontal representa a principal causa de perda de dentes em adultos, um problema de saúde pública global. Sua origem está ligada diretamente à higiene bucal inadequada e ao acúmulo de placa bacteriana, uma película que se forma sobre os dentes.
Manter uma boa saúde bucal vai muito além da estética, sendo uma questão fundamental para o bem-estar geral do corpo. A atenção precoce aos sinais é crucial para evitar consequências graves, que afetam não só a boca, mas a saúde sistêmica.
Entre os problemas mais comuns que surgem da má higiene oral, estão a gengivite e a periodontite. Entender suas diferenças é o primeiro passo para uma prevenção eficaz e para manter seu sorriso saudável ao longo da vida.
O que é doença periodontal?
Doenças bucais, como a periodontal, nascem do acúmulo de placa bacteriana, uma película pegajosa de bactérias e restos de alimentos. Sem escovação eficiente e uso diário de fio dental, essa placa se acumula e desencadeia inflamação na gengiva.
Inicialmente, essa inflamação é a gengivite, caracterizada por inchaço e vermelhidão. O professor Giuseppe Romito, especialista em Periodontia da USP, explica: “A gengivite é o estágio inicial e ainda reversível. Com boa higiene bucal e cuidados profissionais ela pode ser controlada com relativa facilidade”.
Da gengivite à periodontite
A preocupação aumenta quando a gengivite não é tratada e evolui para periodontite. Esta é uma condição mais grave, pois afeta os tecidos de suporte dos dentes, incluindo o osso alveolar, que é vital para mantê-los fixos.
O professor Romito alerta: “A periodontite é marcada por uma inflamação mais duradoura e agressiva que, com o tempo, pode levar à perda do osso e, consequentemente, do dente. É uma das principais causas de perda dentária em adultos”.
Fatores de risco e prevenção
Embora a má higiene seja central, outros fatores podem aumentar a vulnerabilidade. Por exemplo, diabetes tipo 2 não controlado e o tabagismo elevam o risco de periodontite severa, alterando a resposta inflamatória e dificultando a cicatrização.
A prevenção continua sendo o caminho mais eficaz para evitar a progressão dessas doenças. “Só escovar os dentes não é suficiente”, enfatiza o professor Romito. O fio dental é essencial para remover a placa que a escova não alcança, sendo indispensável.
Ainda mais, o tártaro, placa bacteriana calcificada, não sai com escovação comum. Ele precisa ser removido por um cirurgião-dentista, durante a profilaxia profissional, geralmente a cada seis meses, para manter sua boca saudável.
Impactos na saúde geral
A periodontite não tratada pode causar danos irreversíveis como retração gengival, mobilidade dentária e até perda completa. Contudo, os impactos vão além: há evidências de associação com doenças cardiovasculares e diabetes descompensada.
“Perder dentes por conta de inflamações gengivais ainda é muito comum”, afirma o professor Romito. Muitos pacientes negligenciam os primeiros sinais ou demoram a buscar ajuda. A prevenção e o acompanhamento odontológico regular são fundamentais para evitar consequências graves.
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