Dilma não está entre alvos de sanções dos EUA por causa de Mais Médicos

Apesar de ter criado o programa em 2013, ex-presidente não foi incluída entre as autoridades que tiveram vistos revogados pelos EUA

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Publicação engana sobre suposta sanção dos EUA à ex-presidente Dilma (Foto: Comprova, Reprodução)

Publicação engana sobre suposta sanção dos EUA à ex-presidente Dilma (Foto: Comprova, Reprodução)

A ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff (PT) não sofreu sanção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diferentemente do que afirmam publicações nas redes sociais.

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As postagens trazem um vídeo que mostra um homem em um carro, com a legenda “Trump Sanciona Dilma Rousseff” e alegam que Dilma estaria entre as autoridades sancionadas por ter participação no programa Mais Médicos.

O programa foi, de fato, instituído no governo Dilma, em 2013, mas a ex-presidente não foi sancionada. No último 13 de agosto, o governo Trump, por meio do secretário de Estado, Marco Rubio, revogou os vistos de outras autoridades ligadas ao programa Mais Médicos: Mozart Júlio Tabosa Sales, hoje secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais e que hoje atua como coordenador-geral para a COP 30.

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Rubio também cancelou os vistos da esposa e da filha de 10 anos de Alexandre Padilha, hoje ministro da Saúde, e que ocupava o mesmo cargo quando o Mais Médicos foi criado.

Dilma não foi citada no caso e não há qualquer registro oficial ou comunicado do governo dos Estados Unidos, seja na gestão de Trump ou em qualquer outra, sobre sanções aplicadas a ela. Uma busca nos comunicados oficiais do Departamento de Estado dos EUA, órgão responsável por emitir tais sanções, reforça essa informação, já que o nome de Dilma Rousseff não aparece em nenhuma das notas relacionadas ao caso. Em contraste, os nomes de Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman são explicitamente citados em comunicado.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

O autor do post investigado não respondeu ao contato da reportagem. No X, ele se apresenta como Eduardo Matos e diz que é ator, empreendedor, multiplicador e desenvolvedor. O Instagram o categoriza como criador de conteúdo digital. O perfil já teve outra publicação verificada pelo Comprova e recentemente postou, sem apresentar qualquer evidência, que Gleisi Hoffmann teria participado dos atos de vandalismo em 8 de janeiro de 2023.

O vídeo investigado chegou a mais de um milhão de visualizações nos perfis do criador do conteúdo no Instagram e no Facebook.

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Por que as pessoas podem ter acreditado

O post associa Dilma a uma notícia real, mas que não tem relação com ela. Ao misturar um nome conhecido com um evento real (sanções dos Estados Unidos a figuras políticas), a publicação cria uma conexão falsa que confunde o leitor. As pessoas podem acreditar na notícia porque ela parece ter verdade e está inserida em um contexto político familiar.

A publicação se dirige a um público que já tem uma visão crítica em relação à Dilma Rousseff e ao programa Mais Médicos. O conteúdo reforça o viés de confirmação, ou seja, a tendência das pessoas de buscar e acreditar em informações que confirmem suas crenças pré-existentes. A legenda “Trump Sanciona Dilma Rousseff” é chocante e chamativa, fazendo com que as pessoas parem para ler, mesmo que o conteúdo não seja verdadeiro.

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Fontes que consultamos: Consultamos reportagens de veículos jornalísticos a respeito das medidas do governo dos Estados Unidos envolvendo o Mais Médicos e comunicados oficiais do Departamento de Estado dos EUA. O Comprova pediu esclarecimentos à embaixada americana no Brasil e ao Departamento de Estado, mas não obteve respostas. Foi feita também uma consulta à lista de estrangeiros que foram alvo de sanções pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

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Outras checagens sobre o tema: O Comprova já realizou checagens envolvendo esse perfil anteriormente e mostrou que Janja não foi sozinha à Rússia e não há provas de que ela seja vigiada por autoridades norte-americanas. Também publicou ser falsa a alegação de que o governo federal planeja cobrar taxa de donos de animais domésticos.

Notas da comunidade: A postagem no X não recebeu notas da comunidade até o momento da publicação desta checagem.

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A checagem acima foi produzida pelo Projeto Comprova, iniciativa que reúne a NSC e outros 41 veículos de mídia do país em defesa da integridade da informação.

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