O julgamento da chamada trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) teve um novo capítulo de repercussão política em Santa Catarina. O ministro Alexandre de Moraes citou uma live do ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada em 29 de julho de 2021, quando o então ministro da Justiça Anderson Torres afirmou que não era “possível auditar, de forma satisfatória, o processo entre a votação do eleitor e a contabilização do voto no boletim de urna”. Segundo Moraes, porém, testemunhas relataram que Torres não teria se baseado em informações técnicas ou laudos da Polícia Federal, como alegado.
O episódio não demorou a gerar reação no Senado. O catarinense Esperidião Amin rebateu Moraes e acusou o ministro de “faltar com a verdade” ao apresentar a citação. A resposta rápida mostra o espaço que Amin tem buscado ocupar no debate sobre a atuação do STF, em especial quando envolve temas ligados ao bolsonarismo e ao questionamento da Justiça Eleitoral.
Mais do que a polêmica em si, a menção feita no julgamento serve de combustível político para Amin em sua tentativa de reeleição em 2026. O senador vem intensificando críticas ao Supremo e, em particular, a Moraes, consolidando uma narrativa alinhada ao eleitorado de direita em Santa Catarina. O embate público reforça sua imagem como voz ativa contra o que define como excessos da Corte.
Na prática, a exposição nacional em um julgamento de forte apelo político amplia a visibilidade do parlamentar catarinense. Amin ganhou um argumento extra para manter-se em evidência e capitalizar em um ambiente eleitoral no qual a disputa por espaço entre candidatos identificados com a direita tende a ser acirrada.
