O elo mãe-bebê que levanta um novo e importante debate sobre a cesárea

Estudo buscou explicar a relação entre a microbiota materna com a vida do feto

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Estudo revela a ligação fundamental entre a microbiota da mãe e o desenvolvimento do cérebro do bebê, levantando um novo debate sobre o impacto das cesáreas.

A pesquisa mostrou a relação direta entre os germes da mãe com o desenvolvimento do bebê (Foto: Reprodução)

Um estudo da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, buscou uma relação entre os microrganismos encontrados na mãe com o desenvolvimento cerebral do bebê.

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“Ao nascer, o corpo de um recém-nascido é colonizado por micróbios enquanto viaja pelo canal vaginal. O nascimento também coincide com eventos importantes do desenvolvimento que moldam o cérebro”, explica a professora Alexandra Castillo Ruiz, em entrevista ao Viva Bem.

A pesquisa reforça a ideia de que os microrganismos são parceiros estratégicos desde o começo da vida.

A metodologia do estudo

O estudo foi feito com camundongos, em uma área específica do cérebro chamada núcleo paraventricular do hipotálamo (PVN). A região é conhecida por controlar o estresse, pressão arterial, quantidade de água no organismo e até mesmo o comportamento.

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Pesquisas anteriores apontavam que camundongos sem germes tinham mais células cerebrais morrendo nessa região enquanto ainda se desenvolviam. O novo estudo busca entender se esse efeito é persistente e se começa ainda na gestação com a interação com os micróbios da mãe.

A análise foi feita com uma troca de indíviduos. Os camundongos recém-nascidos sem micróbios foram colocados juntos à mães que tinham. E esses foram comparados com camundongos que nasceram normalmente com microrganismos.

Os resultados chamaram a atenção dos pesquisadores. Três dias após a troca, os ratos que foram alocados com mães sem micróbios tinham menos células cerebrais no PVN, mesmo recebendo microrganismos depois de nascerem. E os camundongos adultos sem micróbios tiveram uma redução no número de neurônios nessa região.

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Como acontece em partos humanos?

Mesmo que os testes tenham sido feitos em camundongos, a similaridade biológica entre as espécies sugere que os micróbios da mãe podem sim interferir na formação cerebral do feto. Assim, torna-se ainda mais importante observar técnicas obstétricas modernas, como cesáreas e uso de antibióticos no período periparto.

A OMS, Organização Mundial da Saúde, sugere que apenas 15% dos partos devam ser cesárea, mas em muitas regiões esse valor é ultrapassado. De acordo com a USP, entre a média de 3 milhões de nascimentos anuais, cerca de 1,68 milhão são cesarianas e, dentre esses, 870 mil não têm indicação médica clara.

A pesquisa mostra a importância de preservar a interação natural entre os micróbios da mãe e o bebê, já que mostraram atuação na formação cerebral e da saúde geral. Como mostra o estudo, a microbiota das mães é parte essencial da formação dos filhos.

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