Fadiga, formigamento, dificuldades de coordenação e de memória: esses foram alguns dos primeiros sintomas que Claudia Rodrigues, Ana Beatriz Nogueira, Ludmila Dayer e Carol Ribeiro sentiram até serem diagnosticadas com Esclerose Múltipla (EM). A doença, neurológica, crônica e autoimune, afeta o sistema nervoso central, atingindo o cérebro e a medula espinhal e impõe desafios que variam de intensidade de pessoa para pessoa.
No Brasil, a atriz Claudia Rodrigues se tornou um dos rostos mais conhecidos da luta contra a doença. Diagnosticada em 2000, a humorista passou por vários tratamentos e internações. Guta Stresser, famosa pelo papel de Bebel em A Grande Família, também revelou que foi diagnosticada em 2021, durante o Dança dos Famosos. Em entrevistas, contou sobre os primeiros sinais, como dificuldades de memória e coordenação motora, e destacou o impacto do diagnóstico em sua vida pessoal e profissional.
A Esclerose Múltipla ocorre quando o próprio sistema imunológico do paciente ataca a bainha de mielina, a camada que protege as fibras nervosas, dificultando assim a comunicação entre o cérebro e o corpo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge mais de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo e, embora não tenha cura, pode ser controlada com acompanhamento médico e tratamento adequado.
Diagnóstico e sintomas da Esclerose múltipla
Os sintomas variam de acordo com a região do sistema nervoso afetada, mas os mais comuns, segundo o Einstein Hospital Israelita, incluem:
- Fadiga (fraqueza ou cansaço)
- Sensitivas: parestesias (dormências ou formigamentos), nevralgia do trigêmeo (dor ou queimação na face)
- Visuais: neurite óptica (visão borrada, mancha escura no centro da visão de um olho – escotoma – embaçamento ou perda visual), diplopia (visão dupla)
- Motoras: perda da força muscular, dificuldade para andar, espasmos e rigidez muscular (espasticidade)
- Ataxia: falta de coordenação dos movimentos ou para andar, tonturas e desequilíbrios
- Esfincterianas: dificuldade de controle da bexiga (retenção ou perda de urina) ou intestino
- Cognitivas: problemas de memória, de atenção, do processamento de informações (lentificação)
- Mentais: alterações de humor, depressão e ansiedade
A doença é mais comum em mulheres entre 20 e 40 anos, mas pode se manifestar em diferentes perfis. Há formas mais leves, com períodos de remissão, e outras mais agressivas, que causam maior impacto na qualidade de vida.
O diagnóstico que Juliana Paes recebeu depois de fazer a Maria da Paz em 2019
O diagnóstico da Esclerose Múltipla pode ser desafiador, pois seus sintomas podem se confundir com os de outras condições neurológicas, inclusive com ansiedade. Ele envolve avaliação clínica, exames de ressonância magnética, análise do líquido cefalorraquidiano e, em alguns casos, testes neurofisiológicos.
Avanços no tratamento
Apesar das limitações, a ciência tem avançado no controle da Esclerose Múltipla. Novas medicações imunomoduladoras, terapias de reabilitação física e cognitiva e acompanhamento multidisciplinar têm permitido que pacientes mantenham qualidade de vida e reduzam a progressão da doença.










