Uma greve geral paralisou serviços na França e levou mais de 500 mil manifestantes às ruas nesta quinta-feira (18), em reação às medidas de austeridade — política econômica que visa controlar os gastos públicos — propostas pelo ex-primeiro-ministro François Bayrou. Os protestos ganharam repercussão internacional após a circulação de imagens que mostram franceses exibindo uma guilhotina na Place de la Nation, em Paris, em referência à Revolução Francesa.
Segundo o Ministério do Interior, 309 pessoas foram detidas e 134 seguem sob custódia. Escolas, farmácias e transportes públicos ficaram fechados em diversas cidades. A mobilização também bloqueou rodovias, refinarias e pedágios, ampliando o impacto da paralisação.
Veja imagens dos protestos
O que motivou os protestos na França
O pacote de cortes orçamentários de Bayrou previa a redução de € 44 bilhões (cerca de R$ 275 bilhões), atingindo áreas como saúde, aposentadorias e benefícios sociais. A proposta gerou revolta ainda maior quando o então premiê sugeriu acabar com dois feriados nacionais: a segunda-feira de Páscoa e o 8 de maio, data que celebra o fim da Segunda Guerra Mundial.
Bayrou foi destituído em 8 de setembro, após perder uma moção de confiança no Parlamento. No dia seguinte, o presidente Emmanuel Macron nomeou Sébastien Lecornu, até então ministro da Defesa, como novo primeiro-ministro. Ele é o terceiro a ocupar o cargo em apenas um ano.
Embora Lecornu tenha prometido rever medidas polêmicas, como o corte dos feriados, sindicatos e movimentos sociais afirmam que as políticas de austeridade devem continuar.
Protestos relembram a Revolução Francesa
A presença da guilhotina nos atos chamou atenção pela carga simbólica. O objeto remete à Revolução Francesa de 1789, quando a população se levantou contra a monarquia absolutista e derrubou Luís XVI e Maria Antonieta, executados em 1793.
Na quinta-feira, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes na capital. Além de Paris, cidades como Toulouse e Marselha também registraram confrontos, com veículos incendiados e depredações em áreas urbanas.
Com a crise política e a pressão popular, a expectativa é que o governo francês enfrente novas paralisações nos próximos dias.
*Sob supervisão de Luana Amorim
**Com informações do g1 e CNN
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