Três mortes em acidentes com ônibus em menos de um mês acendem alerta em Florianópolis

Empresas de transporte afirmam que casos são distintos e que processo interno irá apurar conduta e circunstâncias do acidente

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Acidentes na capital aconteceram no último mês (Foto: Alan Pedro, Arquivo NSC Total)

Três acidentes envolvendo ônibus do transporte coletivo resultaram em mortes em Florianópolis em menos de um mês. As ocorrências, registradas em diferentes pontos da cidade, acenderam o alerta sobre a segurança viária e a prevenção de sinistros em áreas de grande circulação de pedestres.

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O caso mais recente ocorreu nesta quarta-feira (22), quando uma criança de cinco anos foi atropelada por um ônibus perto do Terminal de Integração de Canasvieiras (Tican). Segundo a Polícia Militar Rodoviária, a vítima atravessava a faixa de pedestres, arrastando uma bicicleta, quando foi atingida pela lateral dianteira do veículo.

Em 8 de outubro, um motociclista de 26 anos morreu após colidir com um ônibus na SC-401, nas proximidades do Floripa Shopping. Após o impacto, o homem foi parar embaixo do coletivo, que pegou fogo e ficou completamente destruído.

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Pouco antes, no dia 26 de setembro, uma idosa morreu atropelada por um ônibus no Centro da Capital, próximo ao Terminal Integrado do Centro (Ticen). Segundo a Polícia Militar, ela havia acabado de descer de outro coletivo quando foi atingida em uma curva de acesso à Avenida Paulo Fontes.

Empresas afirmam que casos são distintos

Procurada, a assessoria de imprensa das empresas que operam o transporte coletivo na Grande Florianópolis afirmou que as ocorrências “são muito distintas” e pediu cautela ao tratar os episódios como parte de um mesmo cenário. Nos três casos, a responsabilidade ainda está sob apuração, conforme a assessoria.

Segundo as empresas, há uma política permanente de treinamento e reciclagem dos motoristas, com revisões de procedimentos sobre direção defensiva, direção econômica e riscos de acidentes. Os cursos são ministrados por instrutores técnicos e advogados da área de recursos humanos, e os profissionais passam por avaliações presenciais e acompanhamentos em rota.

No caso do Consórcio Fênix, a empresa afirmou que os motoristas recebem capacitação específica para preservação da vida de passageiros, pedestres e ciclistas, e que todas as ocorrências de trânsito geram processo interno de apuração, com análise de telemetria, câmeras e registros de GPS.

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A frota, segundo a empresa, possui monitoramento em tempo real e sistemas de gravação por câmeras com acesso remoto, e os novos veículos já contam com alertas e telas que exibem as imagens das laterais e da parte traseira para reduzir pontos cegos.

O que diz a Metropolis

“As empresas que operam o sistema de transporte público coletivo na Grande Florianópolis têm uma política permanente de treinamento e reciclagem com os seus motoristas, no esforço de oferecer segurança e conforto aos usuários. Uma das empresas, por exemplo, tem práticas periódicas de integração, realizada quando os motoristas retornam de férias, com a revisão dos procedimentos envolvendo direção defensiva, direção econômica, os riscos dos acidentes e o uso apropriado das novas tecnologias embarcadas. Esse treinamento tem a participação do advogado da empresa e de instrutores técnicos, sendo conduzido pela área de recursos humanos. Os instrutores também acompanham, aleatoriamente, a condução dos veículos, promovendo eventuais correções e orientando os motoristas em tempo real. 

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O Sest/Senat, por iniciativa própria e sem custos às empresas ou aos motoristas, tem um calendário de eventos e cursos com a mesma pretensão, de oferecer qualificação e atualização aos profissionais.”

Especialista analisa condições de acidentes

A instrutora e especialista em trânsito, Márcia Pontes, explica que no caso da idosa desembarcando do ônibus o sinistro de trânsito é “muito comum” por conta da curva, considerada uma condição adversa de via. Ainda, há a condição adversa do condutor, como a questão da atenção, que pode resultar em um acidente.

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— O condutor, quando ele faz o curso especializado para veículo coletivo, ele deve entender que é responsável por todas as vidas que estão ali. A distração é responsável por mais de 30% dos sinistros e a pessoa se distrai até com pensamento — pontua Márcia.

A especialista aponta que no caso de colisão entre ônibus e moto, é importante destacar que o condutor do ônibus tem grandes pontos cegos, por conta do tamanho do veículo, e por isso pode não ver um pedestre, motociclista ou até carro. Dessa forma, é preciso cuidado e atenção ao passar perto de um ônibus.

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Ainda, ela reforça a importância da atenção e da conduta preventiva de antecipar o risco e não tomar nenhuma atitude apressada, pensando no trânsito como um lugar compartilhado entre pessoas e veículos de diversos tamanhos. Márcia também destaca como a educação no trânsito é importante.

— Investir cada vez mais no treinamento dos motoristas, algum tipo de incentivo do poder público, aqueles que cuidam da segurança no trânsito, mais ações. Basta ter iniciativa e a vontade de alertar a população — afirma.

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O terceiro caso, registrado nesta quarta (22), envolvendo uma criança, a especialista em trânsito afirma que a fragilidade da criança torna o acidente mais grave, mesmo que o veículo esteja em baixa velocidade.