Santa Catarina será palco nos próximos dois meses de uma pesquisa que busca mapear a estrutura profunda da Terra na região Sul do Brasil e como ocorreu a evolução geológica do continente desde o processo de separação com a África. O estudo pode trazer mais informações sobre as camadas internas da Terra e também sobre a formação das bacias de Pelotas e Santos, regiões consideradas de grande potencial científico e econômico.
O trabalho é conduzido pelo Observatório Nacional, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Desde o início desta semana, 29 estações com sismógrafos estão sendo instaladas em cidades catarinenses. Os equipamentos monitoram a vibração da terra e são usados em pesquisas geológicas.
Os sismógrafos ficarão em uma linha reta de 200 quilômetros entre Lebon Régis, no Meio-Oeste, e Tijucas, na Grande Florianópolis. Os equipamentos ficarão a distâncias de 5 a 10 quilômetros, passando por cidades como Apiúna, Salete e Rio do Campo.
Veja fotos da pesquisa
Ao mesmo tempo, pesquisadores de universidades europeias vão instalar sismógrafos no fundo do mar em uma linha reta a partir da costa de Santa Catarina, incluindo a região entre as bacias de Pelotas e Santos, no Oceano Atlântico.
Com as estruturas instaladas, as equipes que atuam com os sismógrafos no fundo do mar vão usar um equipamento para disparar pequenas explosões de ar. A ideia é que os sismógrafos instalados em terra, nas cidades catarinenses, registrem os pulsos e as vibrações dessas explosões. Isso vai permitir entender como as camadas internas da Terra estão estruturadas na região do estado catarinense e também como é a transição entre essas camadas internas da Terra e a crosta oceânica.
As pesquisas em campo ocorrem até 12 de dezembro. Depois disso, os pesquisadores vão gerar imagens das camadas internas da Terra nas áreas pesquisadas, avaliar os resultados e compará-los a estudos de outras regiões.
— O objetivo principal é entender como se deu o magmatismo associado à separação dos continentes sul-americano e da África, como ele se distribuiu entre as duas bacias (Santos e Pelotas). Isso vai permitir entender o processo de evolução do continente e dessas duas bacias, é algo importante para vários estudos — afirma o pesquisador do Observatório Nacional, Gilberto Leite.
Relação com petróleo?
A pesquisa não tem relação direta com a possibilidade de exploração de petróleo na Bacia de Pelotas, região do mar entre a costa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina que teve leilões para possível atividade comercial de retirada de óleo feitos entre 2023 e 2025. Em geral, esses óleos estão em áreas mais superficiais do que as camadas profundas que são o interesse dos pesquisadores. Apesar disso, segundo cientistas envolvidos, as conclusões do estudo sobre a formação geológica da região pode ser de interesse das indústrias de petróleo que investigam a área e que poderão aproveitar as informações sobre a evolução das duas bacias.
Uma das descobertas mais esperadas é sobre por que a Bacia de Pelotas registrou mais rochas vulcânicas, como resultado de magmatismo na época da separação dos continentes, enquanto a Bacia de Santos não teve esse tipo de formação. As investigações sobre as regiões ricas em petróleo podem trazer avanços tanto no campo acadêmico quanto em estudos sobre a área para atividades econômicas.
— A ideia é entender por que isso acontece, o que levou a essa assimetria na característica das duas bacias — conta o pesquisador do Observatório Nacional.
O início da pesquisa sobre a evolução geológica no território de Santa Catarina, com olhar especial voltado às bacias de Santos e de Pelotas, famosas pelo potencial de exploração de petróleo, ocorreu na semana em que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu licença para a Petrobras perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Rio Amazonas, localizado na chamada Margem Equatorial, entre os estados de Amapá e Rio Grande do Norte. A intenção é que a empresa estatal possa pesquisar se existe potencial de exploração de petróleo na região.
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