Engenho histórico que já foi set de filmagem dá primeiro passo para voltar a funcionar em SC

Espaço era usado para festas da farinhada até 2016, mas precisou parar seu funcionamento após problemas críticos na estrutura

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Espaço precisa ser reformado para voltar a ser um local de resistência cultural (Foto: ONG Costa Legal)

Dois quilômetros. É essa distância que se deve percorrer dentro da trilha da Barra da Lagoa, uma das mais famosas de Florianópolis, para chegar até um local centenário: o engenho de farinha de mandioca Vila Verde. Patrimônio cultural, o espaço, mesmo que pequeno, chega a receber cerca de 500 visitantes por dia, de acordo com a ONG Costa Legal, mas vem passando por problemas na infraestrutura. Agora, um projeto quer dar o primeiro passo para que o engenho histórico volte a funcionar como, de fato, um engenho.

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O projeto de recuperação, batizado de “Recupera Engenho”, tem como objetivo reconstruir pontos cruciais para que o espaço se torne um local seguro para quem o visita, incluindo a comunidade da Costa da Lagoa.

A história do engenho

Nando Pereira, da ONG Costa Legal, explica que o engenho era utilizado como um espaço de resistência cultural, com festas todos os anos, desde os anos 1990 até 2016.

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Em 2016, por conta de um problema na estrutura do telhado, o espaço precisou parar de funcionar. Isso porque a estrutura que sustenta o telhado está conectada ao maquinário do engenho e, assim, acaba comprometendo o funcionamento do espaço.

— O maquinário é uma tecnologia ancestral, com a mecânica ali com as madeiras. As peças se conectam entre si e no caso desse engenho estava tudo conectado ao telhado. Então esses movimento faziam o telhado trepidar e colocava em risco — contou.

Nas festas, eram feitas as famosas farinhadas, onde a comunidade se reunia para descascar, cevar, prensar, moer, peneirar e, finalmente, torrar a farinha. Tudo isso no engenho. Com o tempo, essa prática fora do período de festas, com o uso do espaço para produção em massa de farinha.

Desde os anos 1990, Esdras da Luz é o proprietário do engenho. Quando adquiriu a estrutura, o espaço ainda era usado para produção, mas se encontrava em “estado calamitoso”, de acordo com um relatório produzido pelo Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural de Florianópolis. Imediatamente, ele precisou fazer intervenções, para evitar que o espaço colapsasse.

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— Ele cuidou desse espaço, um espaço privado, mas de interesse público. Então, desde essa época, ele se organizou junto com outras pessoas na comunidade e formaram a Associação Engenho para cuidar desse espaço de uma forma coletiva. Então eles organizavam mutirões para manter um estado adequado no espaço — disse Nando.

O espaço continuou sendo usado como ponto de cultura, mesmo sem o uso de maquinário. Pessoas da região da Costa da Lagoa utilizavam o espaço como ponto de encontro comunitário, com a manutenção de uma horta comunitária.

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Em 2008, o engenho já até virou em “set” de cinema, onde foi rodada parte do filme “A Antropóloga”, um longa metragem catarinense, de Zeca Nunes Pires, profissional de cinema do Departamento Artístico Cultural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O filme foi vencedor do prêmio Governo do Estado de Santa Catarina – Cinemateca Catarinense-ABD/SC na categoria de longa-metragem.

Veja fotos

Orçamento menor que o esperado

O projeto de recuperação do local é apresentado para a comunidade neste sábado (25), com atividades culturais para a população da região da Costa da Lagoa, com atividades como o programa “Minhoca na Cabeça”, que ensina moradores a transformar lixo orgânico em adubo.

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A ideia é recuperar o telhado anexo, uma área separada do maquinário, com o objetivo de proporcionar a realização de oficinas no futuro e ter um espaço físico de apoio que servirá para a comunidade. Segundo Nando, a restauração do telhado dará a possibilidade de o engenho voltar a funcionar. Entretanto, o engenho ainda não terá condições plenas de fazer farinha como antigamente.

O maquinário exigirá uma segunda fase de restauração mais específica para que o sonho de voltar a operar completamente seja realizado. A ideia inicial era fazer uma reforma única, mas o projeto é financiado pela edição de 2024 do Prêmio Elisabete Anderle e, como explicou Nando, o edital proporcionou um orçamento suficiente para um primeiro passo.

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—  Nós tivemos que abrir mão de algumas questões que a gente estava querendo fazer. Por isso que esse passo agora vai ser menor, vai precisar depois um outro passo no futuro próximo para realmente chegar lá onde a gente quer, para realizar o sonho do voltar a operar — disse.

Depois, a ONG está planejando investir recursos próprios e trabalho para ter uma estrutura que possa receber os visitantes do local, como um banheiro. Com a apresentação do projeto, Nando espera que mais pessoas, inclusive de fora da Costa da Lagoa, se interessem em ajudar.

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Isso porque, de forma fixa, apenas três pessoas estão previstas para participarem das obras. Nando conta que durante manutenções periódicas que o espaço passou, poucas pessoas da própria comunidade se interessaram em participar das obras em mutirões. Esse foi um dos motivos para o atraso na obra de restauração atual, já que todos participam de forma voluntária, mesmo com o recurso em mãos desde julho.

— Nós estamos com pouco engajamento, e isso é um desafio. Mas a gente espera que agora, a partir do momento que a gente apresente pra comunidade, a gente consiga maior visibilidade também — completou Nando.