Animal silvestre ataca apiários e causa prejuízo de R$ 50 mil para produtores de mel de SC

Animais silvestres entram nas colmeias em busca do mel

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Produtor registrou animais invadindo o local (Foto: Deivide Saccon Michels, Arquivo Pessoal)

Agricultores da Serra catarinense afirmam estarem sendo prejudicados por ataques de iraras em apiários, colmeias utilizadas para criação de abelhas. Os animais silvestres entram nas colmeias em busca de mel e crias, e já causaram um prejuízo de mais de R$ 50 mil aos apicultores da região.

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Os da Rainha da Flor, apiários orgânicos localizados em Rio Rufino, Painel, Dois Irmãos, Lages e Otacílio Costa, já registram a perda de mais de 200 colmeias, com danos que ultrapassam R$ 50 mil. A situação é grave e se repete em outras regiões da Serra catarinense e também no Rio Grande do Sul.

Sem medidas de contenção e auxílio técnico, muitos produtores ficaram sem fonte de renda e sem condições de manter seus apiários ativos nos próximos meses.

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— Esses ataques estão acontecendo nos nossos apiários orgânicos, lá na Serra, onde tudo é feito dentro das normas e com certificação. Precisamos de ajuda para proteger as abelhas, porque sem elas não há mel, não há renda, não há vida — ressalta Rislaine Corrêa da Silva, presidente da Associação de Meliponicultores do eixosul (AMELSUL) e responsável pela Rainha da Flor.

Os apicultores pedem ajuda de órgãos ambientais para oferecer planos de manejo, orientação técnica, apoio financeiro e compensações por perdas, além da instalação de sistemas de proteção física e sonora contra as iraras.

Animais buscam alimento

Segundo o biólogo Vitor Bastos, a espécie silvestre é comum nas regiões de clima tropical e os animais estão em busca de alimentos.

— A irara é um animal com olfato muito bom, encontrando o mel com facilidade para se alimentar. É um animal protegido por lei, que está tentando achar alimento, igual outros animais. Não é necessário abater esse animais, é preciso conter e cercar os locais de uma forma que os animais não invadam as produções informa Vitor.

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Além disso, para o biólogo Jackson Preuss, uma das razões para essas invasões dos animais é a falta de habitat natural para as espécies.

Esses animais acabam tendo que sair das florestas, onde eles encontram recursos para se alimentar, devido à perda do habitat. Uma estratégia para evitar isso seria manter os ambientes florestais e recursos disponíveis, assim esses animais não buscariam outras disponibilidades de alimentos afirma Jackson.

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Segundo informações da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), há algumas maneiras de combater os danos causados pelas iraras. Entre elas, a Epagri destaca:

  • Instalar o apiário em campo limpo, no mínimo 50 a 100 me longe do mato, pois assim a irara se sentirá desprotegida;
  • Fixar arame farpado no ninho da colmeia com uma distância de 10 centímetros, entre um fio e o outro;
  • Colocar próximo aos apiários mechas de cabelo humano ou pelo de cachorro, dentro de sacos plásticos perfurados. Alguns apicultores costumam também espalhar fezes de cachorro nas proximidades do apiário;
  • Manter as colmeias a uma altura mínima de 85 centímetros do solo, embora este recurso possa dificultar o manejo da colmeia e em alguns casos diminuir sua produtividade pelo aumento da corrente dos ventos;
  • Utilizar cobertura confeccionada com tambor cortado ao meio e amarrado sobre a colmeia.

Além de iraras, diversos outros animais também estão invadindo as produções em busca de alimento e abrigo.

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— Esse ano, até o momento, já perdemos cerca de 126 colmeias. Nós temos 2,3 mil colmeias no total, então isso corresponde a um pouco mais de 5% do plantel. Mas já chegamos a perder quase 400 colmeias em anos anteriores. Iraras, quatis, tamanduás e tatus, todos fazem muito estrago. Nosso prejuízo é de R$ 725 por colmeia — afirmou Deivide Saccon Michels, produtor de São Joaquim.

O NSC Total entrou em contato com a Federação de Apicultores de Santa Catarina (FAASC) para saber atualizações sobre o andamento do contato com os órgãos ambientais responsáveis por realizar a contenção destes animais, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.

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O que dizem os órgãos ambientais

Procurado, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Santa Catarina afirmou que o manejo e contenção destes animais silvestres de vida livre deve ser realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Em nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) informou que até o momento não recebeu nenhuma comunicação formal sobre o caso e afirmou que esse tipo de conflito tem se tornado comum nas regiões, por falta de habitat para os animais. Confira a nota completa:

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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informa que, até o momento, não recebeu comunicação formal sobre os casos de ataques de iraras a apiários na Serra Catarinense. Para que o órgão possa atuar, é necessário que produtores ou associações registrem oficialmente a ocorrência, indicando os locais e as datas dos eventos.

A irara (Eira barbara) é uma espécie silvestre nativa e protegida, e qualquer intervenção direta exige autorização e avaliação técnica. Após o protocolo da demanda, o Ibama pode realizar vistoria nos apiários, orientar medidas preventivas e analisar planos de manejo elaborados por profissionais ou empresas contratadas pelos produtores, sempre priorizando soluções de manejo ambiental.

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O Instituto destaca que esse tipo de conflito tem se tornado mais frequente em regiões onde houve redução do habitat, como a substituição dos campos e matas nativas por agricultura e plantios de pinus. Por isso, ações coordenadas com os municípios e com os serviços de assistência técnica são fundamentais

O Ibama permanece à disposição para dialogar e apoiar tecnicamente após o registro formal da demanda.

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Como são as iraras

As iraras são animais onívoros da família dos mustelídeos e podem medir cerca de 55 e 71 centímetros de corpo, mais a cauda, que pode atingir até 46 centímetros. O animal normalmente pesa entre três e sete quilos.

O tempo médio de gestação das fêmeas da espécie é de 65 dias, dando à luz entre um e quatro filhotes, sendo mais comum o nascimento de gêmeos. Esses animais não estão ameaçados de extinção.

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Geralmente, as iraras se alimentam de mel, frutas e insetos, mas podem consumir pequenos e médios vertebrados como roedores e lagartos. O animal recebeu o apelido de “papa-mel” devido à dieta ampla.

*Colaborou o repórter Mateus Barreto, da NSC TV