O que se sabe sobre morte de menino de dois anos por erro de vírgula em receita médica

Criança havia sido internada no início de 2024 para tratar complicações de uma infecção viral

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Receita médica

Erro em receita médica fez com que dose fosse multiplicada por 10 (Foto: Banco de imagens)

Um erro de digitação na prescrição de um medicamento levou à morte de uma criança de 2 anos na Flórida, nos Estados Unidos, e abriu uma investigação contra o Hospital Infantil UF Health Shands, de acordo com o jornal The New York Post. Segundo processos movidos pela família, a omissão de uma vírgula decimal multiplicou por dez a dose de um suplemento de potássio administrado ao menino, que morreu após sofrer parada cardíaca e danos cerebrais irreversíveis.

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O menino havia sido internado no início de 2024 para tratar complicações de uma infecção viral. Conforme o processo, a criança, que pesava 9,5 kg e tinha níveis muito baixos de potássio e outros eletrólitos, também apresentava alimentação seletiva associada à suspeita de Transtorno do Espectro Autista. Diante do quadro, ele foi transferido para uma unidade especializada do hospital universitário da Universidade da Flórida.

Erro em vírgula

Segundo o processo, a dosagem correta deveria ser de 1,5 milimol de fosfato de potássio. No entanto, o médico responsável teria cometido um erro médico “inaceitável” ao apagar a vírgula decimal, prescrevendo 15 milimol – uma dose dez vezes superior. A criança, que pesava apenas 9,5 kg, já recebia outras formas de potássio por via intravenosa.

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O processo alega que o sistema de alerta do hospital avisou sobre a overdose, mas a administração do medicamento não foi interrompida. A criança recebeu duas doses da quantidade excessiva. Minutos após a segunda dose, ele sofreu uma parada cardíaca.

Intubação

A resposta da equipe médica à emergência também é criticada na ação. Teriam sido feitas “duas a três tentativas malsucedidas” de intubação, com um atraso de pelo menos vinte minutos desde que o código de emergência foi acionado, período no qual o menino ficou gravemente sem oxigênio.

Apesar de o coração da criança ter voltado a bater espontaneamente, os danos cerebrais causados pela falta de oxigênio foram catastróficos. Exames de sangue colhidos após a parada cardíaca confirmaram níveis elevados de potássio e fosfato. O menino foi mantido vivo por suporte artificial nas duas semanas seguintes, enquanto sofria com convulsões e outras complicações, até que a família tomou a decisão de desligar os aparelhos em 18 de março.

Processo

O advogado da família classificou as ações do hospital e de sua equipe como “gravemente negligentes” e afirmou que eles “falharam nos padrões básicos de atendimento médico”, conforme o New York Post. Ele disse esperar levar o caso a julgamento para responsabilizar integralmente o hospital e evitar que outra família passe por uma dor semelhante.

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Procurado pelo New York Post, o UF Health Shands afirmou que não comenta casos individuais por questões de privacidade: “A UF Health está comprometida em proteger a privacidade de todos os pacientes e seguir as regulamentações estaduais e federais da HIPAA”.