Garapuvu, a florada amarela que anuncia a chegada de um novo mês em Florianópolis

Florada do garapuvu, árvore-símbolo da Capital, colore morros da cidade em novembro; espécie pode chegar a 30 metros de altura e é protegida por lei

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Garapuvus em flor destacam o amarelo característico nos morros de Florianópolis (Foto: NSC TV, Reprodução)

Quando novembro chega, a paisagem de Florianópolis muda de tom. Entre o verde dos morros, manchas amarelas começam a surgir nos pontos mais altos da cidade. É a florada do garapuvu, árvore-símbolo da Capital, que marca esta época do ano e se torna facilmente identificável mesmo à distância.

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— É uma árvore antiga, linda, esse amarelo traz uma sensação de riqueza, dá vontade de viver — descreveu o programador Carlos Carneiro à NSC TV.

Para muitos moradores da Capital, o garapuvu faz parte da memória afetiva.

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— Eu sou manezinha da Ilha, e, inclusive, o nome da escola em que estudei no fundamental era Garapuvu — conta a designer Julia da Silveira.

Já o artista Lucas Viegas resume o impacto da florada em poucas palavras:

— Dá uma energia. O amarelo chama a atenção, dá vontade de acordar e fazer as coisas.

A floração intensa nesta época do ano está ligada à temperatura. De novembro em diante, é possível ver garapuvus totalmente amarelos no Parque Ecológico do Córrego Grande, no Morro da Lagoa, na Lagoa do Peri, no Morro do Ribeirão, na Costa da Lagoa e no Morro do Rio Tavares.

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O engenheiro agrônomo e pesquisador Enio Luiz Pedrotti, mestre e doutor em Fisiologia Vegetal, explica que a espécie ocorre naturalmente da Bahia até Santa Catarina — sendo o Estado o limite sul dessa distribuição.

— Não existe nenhuma outra árvore na Mata Atlântica com floração semelhante ao garapuvu. Ela é única — afirma.

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A planta chama atenção não só pela cor: o garapuvu é uma árvore de grande porte, capaz de ultrapassar 30 metros — o equivalente a um prédio de 10 andares. Cresce rápido, até três metros por ano, vive entre 30 e 50 anos e tem papel fundamental no equilíbrio ambiental da Mata Atlântica.

— É a planta que mais cresce no bioma. Ela cria sombra e, com a palhada que cai ao redor, forma um ambiente propício para a germinação de espécies que precisam de baixa luminosidade, como o rabo-de-peru ou a canela-sassafrás — detalha Pedrotti.

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Espécie é protegida por lei em Florianópolis

Por sua relevância ecológica e cultural, o garapuvu é protegido pela Lei Municipal nº 3.771/1992, que o declara árvore-símbolo de Florianópolis e proíbe seu corte. O uso da madeira só é permitido quando a árvore cai de forma natural, mediante certificação de que houve acidente.

— É um patrimônio histórico. A legislação protege justamente para garantir que ele continue fazendo parte da paisagem da Ilha — destaca o pesquisador.

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Do “tronco de fazer canoa” ao símbolo da Capital

Muito antes de se tornar símbolo oficial de Florianópolis, o garapuvu já era essencial à vida dos primeiros habitantes. Em tupi-guarani, o nome significa “tronco de fazer canoa”. Foi com essa madeira leve e maleável que os povos Carijós construíram embarcações usadas para cruzar rios, lagoas e manguezais, abrindo os caminhos que conectavam mar e mata.

Os colonizadores mantiveram o costume e tornaram famosa a canoa de um pau só, esculpida a partir do tronco do garapuvu. Um símbolo que permanece vivo na cultura local.

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Para Pedrotti, não há dúvidas de que o garapuvu representa como nenhuma outra árvore o espírito da Capital:

— É símbolo, e tem que ser símbolo de Florianópolis. É a única que floresce assim, enfeitando todos os morros. Não existe outra igual.

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*Sob supervisão de Luana Amorim