Entre o real e o ideal: o desafio silencioso da população em situação de rua

Reportagem do Fantástico, que tem SC como um dos focos, repercute no Brasil

Compartilhe:

(Foto: Tiago Ghizoni/NSC Total)

Tema da reportagem especial do Fantástico deste domingo (30), a população em situação de rua virou um assunto corrente em Santa Catarina. Seja por conta da percepção das populações em relação ao que se vê no cotidianos das cidades ou pelos vídeos, adotados pelos prefeitos como principal ferramenta para abordar o assunto, a discussão ganhou corpo no último ano. Entretanto, entre o real e o ideal, o debate sobre as pessoas em situação de rua exige mais maturidade do que muitas vezes se vê nas redes sociais.

Continua após a publicidade

As recentes denúncias de remoções forçadas e ações questionáveis em diferentes cidades brasileiras, inclusive em Santa Catarina, mostram que a busca por soluções rápidas vem, por vezes, se misturando a disputas políticas e à ânsia por likes. É um tema complexo demais para ser tratado como vitrine digital. É claro que a divulgação das ações públicas é necessária. A população cobra respostas porque convive diariamente com a realidade nas ruas, e a transparência é parte fundamental da administração pública.

Em um assunto tão sensível, transformar ações em espetáculo só afasta soluções duradouras. A questão da população em situação de rua exige muito mais trabalho silencioso do que posts. É uma agenda que, necessariamente, envolve diferentes órgãos: assistência social, saúde, segurança, Judiciário, organizações da sociedade civil. E tudo isso descolado de ideologias, vaidades pessoais ou cálculos eleitorais. Só um esforço coordenado e contínuo pode oferecer respostas minimamente eficazes.

Continua após a publicidade

O momento é delicado. Municípios de várias regiões enfrentam um aumento perceptível da vulnerabilidade social e lidam com pressões legítimas da comunidade. Mas não existe solução mágica, nem fórmula que funcione sem colaboração. Protocolos, centros de acolhimento, políticas de reinserção e abordagem humanizada são longos processos, quase sempre invisíveis, que demandam persistência e presença do Estado.

Por fim, vale lembrar: não será com medidas simples que o problema será resolvido, tampouco com ações rasas embaladas para gerar engajamento. A realidade pede compromisso, não cliques. O ideal só será alcançado quando o poder público entender que, no tema das pessoas em situação de rua, os vídeos podem até contar parte da história, mas é o trabalho que não aparece que realmente transforma.