ICMBio se manifesta sobre proposta de criação de parque nacional em SC e PR

Ofício foi enviado à Câmara de Vereadores nesta semana

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Proposta de parque nacional tem perímetro de mais de 32 mil hectares (foto: Divulgação)

Em ofício, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lamentou o que considera “informações falsas e rumores” sobre a proposta de criação do Parque Nacional Serras do Araçatuba–Quiriri. O estudo de viabilidade avalia área de 32,7 mil hectares nos municípios de Garuva, Joinville e Campo Alegre, em Santa Catarina, e Guaratuba e Tijucas do Sul, no Paraná. O levantamento está em elaboração e deve ser apresentado em consulta pública até março de 2026. Eventual criação de uma unidade de conservação tem ainda uma série de outras etapas.

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“Têm circulado, especialmente em redes sociais, informações incorretas sobre o processo, como supostas ‘retiradas de moradores’, ‘implantação de aldeias indígenas’ ou ‘proibição total de atividades econômicas’. O ICMBio reitera que essas informações são inverídicas”, alegou o instituto no documento. Foi informado que o processo está em fase de estudos e diálogo. “Qualquer decisão futura será amplamente debatida, com consultas oficiais previstas em lei, garantindo a manifestação de todos os entes federativos e da sociedade”.

A manifestação do ICMBio enviada à Câmara de Joinville foi em resposta a convite para participação do instituto em audiência pública realizada pelo Legislativo sobre a unidade de conservação. O ICMBio alegou que não poderia participar devido à agenda já definida, mas garantiu que as manifestações na audiência serão analisadas.

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Em relação as desapropriações e permanência de moradores, um dos temas mais polêmicos sobre a criação da unidade de conservação, o ICMBio informou que parque nacional é de posse e domínio públicos, com a regularização fundiária realizada de “forma gradual, indenizatória e negociada”.

“Ninguém é retirado de suas propriedades privadas compulsoriamente sem indenização. Até que seja concluída a regularização fundiária, os proprietários têm direito de seguir com as atividades produtivas que já existiam antes da criação da unidade”. O instituto fez uma ressalva. “Contudo, o ICMBio esclarece que, no caso específico da proposta do Parque do Araçatuba–Quiriri, as áreas de moradia e uso consolidado foram retiradas do perímetro, justamente para evitar conflitos e proteger os direitos das famílias”, informou, por meio de ofício enviado aos vereadores de Joinville nesta semana.

O ICMBio alegou que a zona de amortecimento, outra questão controversa na discussão sobre o parque, não implica em desapropriações. “Trata-se de uma faixa rural adjacente ao parque, onde atividades produtivas e agropecuárias continuam permitidas, respeitando apenas diretrizes de compatibilização com os objetivos da conservação”. Para o instituto, a criação do parque pode fortalecer o turismo ecológico, com integração entre conservação, visitação e desenvolvimento sustentável.

CONTRÁRIOS

A Câmara e a prefeitura de Joinville já se manifestaram contra a proposta de criação do parque. A principal alegação é que a região já conta com unidade de conservação, a APA Serra Dona Francisca. Na semana passada, o prefeito Adriano Silva participou de agenda no ICMBio, em Brasília. “Nossa posição é clara e firme: somos contra este projeto que só vai gerar dificuldades e insegurança para os moradores de Joinville e da região. A área em estudo está protegida como uma Área de Proteção Ambiental e sua preservação está garantida”, alegou Adriano.

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A moção de repúdio aprovada pelos vereadores aponta que a categoria de parque nacional impõe “severas restrições ao uso do solo”, o que pode implicar na permanência dos moradores. Houve queixa também de restrição às atividades econômicas e de condução “vertical” do processo de criação do parque, sem consulta em Joinville e sem a garantia “concreta” de manutenção das atividades econômicas e do sustento das famílias.

Na audiência pública realizada pela Câmara em Pirabeiraba, nesta semana, os moradores da região se manifestaram contra. O temor é de desapropriação de áreas em região que já conta com proteção ambiental. Houve manifestação apontando como “catastróficos” os impactos da criação do parque na economia local.