Matheus Menezes tem 25 anos, é formado em direito e relatou ter sido vítima de discriminação durante o Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Com nanismo, Matheus disse que foi eliminado da seleção depois que não conseguiu cumprir o índice mínimo exigido na prova de impulsão horizontal. Ele afirmou também ao site Migalhas que nenhum tipo de adaptação do teste foi feita para sua condição.
O candidato expôs a situação nas redes sociais com um relato em que afirmou ter passado em todas as etapas anteriores do concurso. Matheus foi aprovado na fase objetiva, na prova discurtiva e na prova oral realizada em outubro de 2025. Para o bacharel em direito, ser delegado sempre foi um sonho.
“Tenho nanismo, então até hoje quando eu conto para as pessoas que algum dia eu serei Delegado de Polícia elas começam a rir da minha cara e a debochar daquilo, afinal, muitos falam que ‘eu não tenho tamanho e nem competência para isso’. Só que eu sou uma pessoa de muita fé e de superar desafios. Ser Delegado sempre foi meu sonho e eu acredito que se Deus coloca um sonho em nossa mente é porque ele sabe que é possível”, desabafou.
Matheus diz ter informado à banca organizadora do concurso, a FGV, que precisava que o teste tivesse adaptações para sua condição física. O pedido administrativo não foi atendido pela banca.
“Solicitei para a FGV via administrativa a adaptação do TAF, porém a mesma foi omissa e se manteve inerte, não respeitando os direitos das pessoas com deficiência amparadas por lei.”
Com isso, ele acabou realizando a prova física da mesma maneira que os demais candidatos. Matheus foi eliminado no teste de impulsão horizontal em que é preciso dar um salto mínimo de 1,65 metro. Ele também afirmou que não foi o único eliminado e que outros candidatos com deficiência também foram.
Nas publicações que fez nas redes sociais, o candidato afirma que foram violadas a Constituição Federal e citou também a lei 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), que prevê igualdade de oportunidades e adaptações razoáveis para pessoas com deficiência.
Além disso, Matheus também citou a a ADIn 6.476, julgada pelo STF, que trata da possibilidade de adaptação de testes físicos em concursos públicos para candidatos com deficiência, e finalizou dizendo que não vai se calar e continuará contestando a eliminação no concurso público.
