STF intervém e obriga Alcolumbre a ler requerimento que estende CPMI do INSS por 60 dias 

Em liminar, André Mendonça autoriza que próprio presidente da comissão oficialize continuidade dos trabalhos caso prazo de dois dias seja descumprido

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STF determinou que Alcolumbre leia requerimento que estende CPMI do INSS (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom, Agência Brasil)

O ministro André Mendonça, do STF, concedeu liminar obrigando a Mesa Diretora do Congresso a destravar a prorrogação da CPMI do INSS em até 48 horas. A decisão, que atende a um pedido do senador Carlos Viana (Podemos-MG), visa garantir a continuidade dos trabalhos previstos para encerrar no dia 28 sob o argumento de que ritos parlamentares não podem suprimir o direito constitucional das minorias. Com a medida, o magistrado impõe um ultimato à gestão de Davi Alcolumbre para que a leitura do requerimento de extensão seja realizada imediatamente. 

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O ultimato de 48 horas contra a “gaveta” de Alcolumbre 

A decisão de Mendonça ataca diretamente a estratégia de Davi Alcolumbre de reter a leitura do requerimento. Apesar de contar com o apoio de mais de um terço do Congresso, o documento permanecia engavetado pela Presidência. Agora, o prazo é definitivo: caso a leitura não ocorra em 48 horas, a liminar autoriza o presidente da comissão, Carlos Viana, a oficializar a prorrogação dos trabalhos de forma autônoma. 

Direito das minorias: o pilar da decisão de Mendonça 

Mendonça sustenta que a cúpula do Parlamento não possui a prerrogativa de barrar a continuidade de uma CPI, desde que todos os requisitos legais para a sua prorrogação tenham sido devidamente cumpridos. Para o ministro, se a minoria tem o direito de instalar a investigação, ela detém, por “decorrência lógica”, o poder de decidir pela sua prorrogação. 

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“O reconhecimento do direito da minoria parlamentar de instalar uma CPMI, sem que a maioria ou a direção do Parlamento crie obstáculos desprovidos de um alicerce constitucional, produz efeitos significativos no plano jurídico. Ele impõe, por decorrência lógica, a aceitação da conclusão de que a mesma minoria também possui o direito de decidir se haverá ou não prorrogação do funcionamento da citada comissão. O que é válido para o mais, deve necessariamente prevalecer para o menos”, argumentou o ministro na decisão. 

Fôlego de 60 dias para o relatório final 

Com a decisão do STF, a comissão ganha um fôlego de 60 dias, prazo que o senador Carlos Viana considera essencial para consolidar as provas do esquema de fraudes. Segundo o parlamentar, a extensão é o período mínimo necessário para entregar um relatório robusto e uma resposta definitiva à sociedade sobre o rombo na Previdência. 

“Entendo que (o prazo de 60 dias) é suficiente para que a gente possa entregar ao Brasil uma resposta mais coerente e mais completa em relação ao desfalque na Previdência”, afirmou o senador ao comentar a necessidade de estender o período de investigação. 

O teste de fogo no Plenário do STF 

O embate ainda não terminou: a decisão individual de Mendonça será submetida ao julgamento do Plenário do Supremo na próxima quinta-feira (26). Até lá, Alcolumbre joga parado: o senador deve aguardar o posicionamento dos demais ministros para decidir se entra em rota de colisão frontal com Mendonça ou se acata a leitura do requerimento para evitar uma derrota ainda maior no plenário. 

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.