Mudança histórica aprovada pela Anvisa pode ser virada de chave no combate ao câncer

Sinais e sintomas observados inicialmente é o surgimento de carocinhos endurecidos (ínguas) no pescoço, axila ou virilha

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Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático (Foto: Banco de imagens)

O tratamento de pacientes com Linfoma de Hodgkin representa um dos desafios mais significativos dos meus amigos e colegas hematologistas. Embora os tratamentos convencionais tenham prolongado vidas durante décadas, a busca incessante por abordagens mais eficazes e menos tóxicas permanece como prioridade.

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Recentemente, um marco importante foi alcançado com a aprovação da imunoterapia como terapia de primeira linha, abrindo novos horizontes para milhares de pacientes em todo o Brasil.

O Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, que faz parte do nosso sistema imunológico. Ele ocorre quando um grupo de glóbulos brancos (linfócitos) começa a crescer de forma desordenada e perde a capacidade de proteger o corpo.

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Os sinais e sintomas observados inicialmente é o surgimento de carocinhos endurecidos (ínguas) no pescoço, axila ou virilha que não doem, após inicia-se um quadro de febre geralmente no fim do dia, um suor noturno intenso, de precisar trocar o pijama, além de perda de peso sem motivo aparente.

Conversei com a médica Luiza Beatriz Gonçalves Beber, onco-Hematologista do Hospital Santo Antônio de Blumenau que é referência para tratamento da doença no Estado, para entender melhor sobre o novo tratamento.

— Durante muitos anos, a quimioterapia agressiva foi o padrão ouro no tratamento inicial do linfoma de Hodgkin. Embora eficaz em muitos casos, frequentemente deixava sequelas significativas como infertilidade, complicações no coração, além de outros cânceres que surgiam e qualidade de vida comprometida. A incorporação da imunoterapia associada a quimioterapia como tratamento de primeira linha representa um divisor de águas, permitindo que o sistema imunológico do próprio paciente combata a doença com maior eficiência e menor toxicidade.

O protocolo Nivo AVD combina nivolumabe (Imunoterapia, um inibidor de checkpoint imunológico) com a quimioterapia clássica AVD (Doxorrubicina, Bleomicina e Dacarbazina). Enquanto a AVD ataca direitamente as células malignas, o nivolumabe funciona como um “liberador de freios” do sistema imunológico, removendo barreiras que o câncer usa para se esconder.

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O nivolumabe bloqueia a proteína PD-1, permitindo que os linfócitos T reconheçam e destruam as células de Hodgkin com maior agressividade. Essa combinação potencializa os resultados: melhor controle da doença com doses de quimioterapia frequentemente reduzidas, resultando em toxicidade significativamente menor.

As taxas de resposta com Nivo AVD ultrapassam 90%, com menor toxicidade, tornando-se uma opção atrativa em pacientes idosos, que muitas vezes eram excluídos de tratamentos intensivos, e que agora podem receber terapia de primeira linha com segurança comprovada.

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Entendemos que o manejo da doença caminha para estratégias cada vez mais personalizadas, baseadas em marcadores moleculares e resposta individual ao tratamento. A aprovação da imunoterapia como primeira linha no linfoma de Hodgkin representa um avanço técnico digno de comemoração! É a promessa renovada de cura com dignidade.

Para os pacientes idosos, historicamente marginalizados em protocolos agressivos, essa inovação oferece a chance de combater a doença sem sacrificar sua qualidade de vida. O futuro do tratamento do linfoma de Hodgkin nunca foi tão promissor.

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Por Sabrina Sabino, médica infectologista, formada em Medicina pela PUCRS, mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora de Doenças Infecciosas na Universidade Regional de Blumenau.