A paisagem dos Doze Apóstolos, na Austrália, sempre pareceu obra direta do vento e do mar. Agora, a ciência mostra que a história dessas torres de calcário é ainda mais surpreendente do que a imagem vista pelos turistas.
As formações, localizadas na costa de Victoria, foram moldadas por milhões de anos de movimentos tectônicos antes de ganharem a aparência famosa que se vê hoje na Great Ocean Road.
A descoberta também revela que as rochas guardam pistas sobre antigos climas, níveis do mar e mudanças profundas na Terra. Por isso, os pilares funcionam como um arquivo natural em risco constante de desaparecer.
Como os Doze Apóstolos se formaram
Durante muito tempo, a explicação mais conhecida apontava apenas para a erosão provocada pelas ondas, ventos e marés. No entanto, o novo estudo mostra que esse foi apenas o capítulo final da história.
Antes disso, placas tectônicas empurraram camadas de calcário para fora do mar ao longo de milhões de anos. Esse processo não ocorreu de forma reta: as rochas foram inclinadas, quebradas e marcadas por pequenas falhas.
Essas marcas ainda aparecem nas falésias da região e funcionam como vestígios de antigos terremotos. Assim, a paisagem atual nasceu da combinação entre força subterrânea e desgaste costeiro.
Rochas são mais jovens do que se pensava
A nova análise também refinou a idade das camadas de calcário. Pesquisas anteriores estimavam que elas tinham entre 7 e 15 milhões de anos, mas os cientistas chegaram a uma faixa mais precisa: entre 8,6 e 14 milhões de anos.
Para isso, a equipe analisou fósseis microscópicos presentes nas rochas. Esses organismos ajudam a datar camadas antigas porque viveram em períodos específicos da história da Terra.
“Como uma cápsula do tempo ambiental, cada camada dessas estruturas gigantes preservou informações sobre o clima da Terra, a atividade tectônica, plantas e animais ao longo de milhões de anos”, explicou Stephen Gallagher, pesquisador da Universidade de Melbourne, em entrevista ao G1.
A erosão ainda transforma a paisagem
Embora a base geológica seja muito antiga, os pilares visíveis hoje foram esculpidos apenas nos últimos milhares de anos, depois da última Era do Gelo. Nesse período, o avanço do mar e a força das ondas separaram partes das falésias.
Atualmente, restam apenas oito estruturas associadas aos Doze Apóstolos, segundo a Universidade de Melbourne. Por isso, os cientistas defendem que a região precisa ser estudada enquanto ainda preserva essas informações naturais.
Além de impressionar visitantes, o local ajuda pesquisadores a entender como o planeta reagiu a períodos mais quentes no passado. Esse conhecimento pode contribuir para estudos sobre mudanças climáticas e elevação do nível do mar.
Por Matheus Ribeiro


