Estupro coletivo de crianças em SP: por que vídeo do crime deixou delegada em choque

Família soube do estupro coletivo por imagens do crime compartilhadas nas redes sociais, segundo a polícia; crime ocorreu no dia 21 de abril, mas foi denunciado apenas no dia 24

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Homem de 21 anos envolvido no crime foi preso na Bahia (Foto: GCM de Brejões, Reprodução)

O vídeo que registrou o estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, em uma comunidade de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, causou choque até entre os policiais responsáveis pela investigação. Ao Estadão, a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, do 63º Distrito Policial da Vila Jacuí, informou que as imagens do crime circularam entre moradores e nas redes sociais antes mesmo do registro oficial da ocorrência. (veja o que se sabe do caso abaixo)

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As vítimas foram atraídas pelos suspeitos com a promessa de empinar pipa. De acordo com a investigação, o grupo levou as crianças para um imóvel na comunidade de União Vila Nova, onde os abusos aconteceram no dia 21 de abril.

— Eles eram vizinhos e conviviam. As crianças tinham confiança neles. Foram soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque passaram e falaram: “vamos soltar pipa? Ah, entra aqui que tem uma linha” — afirmou a delegada.

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Segundo Janaína, um dos adolescentes apreendidos contou em depoimento que o episódio teria começado como uma “brincadeira” e acabou escalando para o crime. A polícia afirma que o único adulto envolvido, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, teria incentivado as ações e iniciado as gravações.

— As imagens causam muito impacto. Foi o maior quem começou as brincadeiras e também as gravações no celular dele. Depois, ele pediu para outro adolescente filmar — disse a delegada.

Os vídeos foram compartilhados em grupos de WhatsApp e acabaram se espalhando entre moradores da comunidade, o que levou familiares das vítimas a descobrirem o caso. A irmã de uma das crianças, que não mora na comunidade, mas recebeu as imagens, reconheceu o irmão e procurou a polícia no dia 24 de abril, três dias após o crime.

Veja fotos do caso

Famílias foram ameaçadas, diz advogada

Enquanto os vídeos circulavam pela comunidade, as famílias das duas crianças teriam sido ameaçadas para não denunciar o caso à polícia. A afirmação foi feita pela advogada de defesa, Aline Soares, no 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, também na Zona Leste.

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A advogada afirmou que houve pressão para que o caso fosse resolvido entre os próprios moradores.

— As mães chegaram até nós falando que tinham sido ameaçadas pelo pessoal da comunidade. Foram até a casa delas dizendo que não era para elas denunciarem à polícia. Elas disseram que eles realmente falaram que não era para irem até a polícia, que eles resolveriam de alguma outra maneira entre eles. Elas também não conhecem essas pessoas. (…) Agora eles estão bem, as crianças estão seguras e salvas — disse à CBN.

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O delegado do 63º Distrito Policial, Júlio Geraldo, por outro lado, disse que não há confirmação de ameaças e que o que houve foram comentários entre vizinhos sem registro de intimidação direta. As investigações prosseguem.

As crianças estão recebendo atendimento médico e psicológico, sob acompanhamento do Conselho Tutelar. As famílias também foram acolhidas pela rede de assistência social da Prefeitura de São Paulo.

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Os cinco envolvidos vão responder por estupro de vulnerável, divulgação de imagens e corrupção de menores.