Saber o que se despreza é o segredo de Nietzsche para a liberdade e o “não” é o caminho mais curto para a essência

Às vezes, o mapa para o sucesso não diz para onde ir, mas de onde você deve fugir imediatamente

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Saber o que se despreza é o segredo de Nietzsche

Em "Três Graças", Zenilda rejeitou a forma como era tratada e sabia que não queria ser apenas uma dondoca, dando espaço para uma mulher realizada e bem sucedida. (Foto: Fabiano Battaglin, TV Globo)

A rejeição é uma forma de direção e saber o que você despreza é o primeiro passo para descobrir o que você ama, uma lição que nasce a partir da frase famosa de Friedrich Nietzsche que dizia: “Eu não sei o que quero ser, mas sei muito bem o que não quero me tornar.”

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A frase toca em um ponto central da filosofia de Nietzsche, que é o processo de tornar-se quem se é. Uma reflexão sobre a autodescoberta através da exclusão, ou seja, sabendo o que você despreza e o que você rejeita já seria uma forma de chegar a ser quem você é.

Exatamente como aconteceu com a Zenilda (Andréia Horta) em Três Graças, que ao rejeitar a forma como era tratada por Arminda (Grazi Massafera), que considerava como melhor amiga, entendeu que podia mais e acabou descobrindo uma traição, se separou, voltou a trabalhar e descobriu um novo amor.

Significado e filosofia por trás da frase de Nietzsche

Para Nietzsche, a identidade não é algo que se encontra pronta dentro da pessoa, mas algo que se constrói ao rejeitar imposições externas.

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As pessoas muitas vezes se sentem confusas ao tentar encontrar o propósito ou ficam pensando qual será seu destino final. No entanto, todos possuem uma bússola moral capaz de apontar para o que causa repulsa.

Quando se diz “não” a um valor que a maioria está dizendo “sim”, quando se quebram as expectativas do outro e quando não se corresponde às mediocridades que não lhe pertencem, a pessoa, por eliminação, está escolhendo seu próprio caminho.

O “Espírito Livre”

No livro Assim Falou Zarathustra, Nietzsche explica o espírito livre. Primeiro, a pessoa precisa quebrar as velhas correntes, a famosa fase do leão, que dá um rugido para limpar o terreno, e tira da frente tudo aquilo que não é.

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Depois vem a fase da criança, que cria algo novo, e faz um convite à integridade. Isso significa dizer que, se você não sabe para onde ir, garanta que não está caminhando para um lugar que trai a sua essência.

Chegando na sua essência

No Ecce Homo, Nietzsche explica que, para chegar à própria essência, muitas vezes passamos por um período de preservação onde não sabemos o que queremos:

“Para se tornar o que se é, não se deve ter a menor ideia do que se é… Toda a superfície da consciência deve ser mantida limpa de qualquer um dos grandes imperativos.”

Ele defende que o “instinto de autoproteção” nos faz rejeitar o que é estranho à nossa natureza antes mesmo de entendermos quem somos.